terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Quanto tempo o Tempo tem...



O tempo por cá corre de modo diferente de Portugal. O dia começa cedo (Ui!!! Bota cedo nisso!) e acaba também cedo. Faz sentido, pelo menos no Inverno, tendo em conta a hora a que anoitece.

Hoje, por exemplo, saí da farmácia, fui buscar a Vanessa e, em vez de ir ao gym ou de ficar a jogar um computador, fui jogar um pokerzinho. Aqui na região há uma liga de torneios de poker e eu já tinha lido sobre isso, de modo que hoje apresentei-me ao serviço, às 19h30m (ou 7.30 p.m. como eles dizem), num pub em Abbeydale.

Paguei a inscrição (uma loucura... £ 1.00), pedi uma Foster's e lá me sentei à mesa. Passei uma data de horas a jogar, vi o Aston Villa vs Liverpool, assisti na primeira fila à loucura que é um pub inglês quando o Torres faz um golo nos descontos, saí em 5º no torneio e quando me dirigia para casa, pensando que já devia ser quase meia-noite, eis que o relógio me diz 21h55m. De rir!

Em Portugal, se quisesse jogar um poker ou beber um "jola" era certo e sabido que me deitava lá para as 03h00m (a pensar "Mas porque é que eu me meto nisto?") e andava o dia seguinte (já para não dizer o resto da semana) de pestana a meia haste. Aqui, saio umas horas e quando regresso ainda dá para umas horas de televisão a meio-gás, umas torradas e um tempo com a Vanessa.

P.S. - Já se nota que os dias estão a ficar maiores... Hoje anoiteceu às 16h45m...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Céu e... apenas o habitual

Para "sorte" aqui do surdo a Vanessa só está bem no laró. Vai daí, chega domingo e, em vez de eu poder descansar, jogar um computadorzinho e preparar para o derby, tive de comer uma passeata a Birmingham com direito a rally-shoppings-e-tudo-quanto-é-rua-porque-é-Natal-e-não-há-luzes-em-Gloucester-e-eu-tenho-saudades-das-luzes-e-tudo-e-tudo-e-tudo. Vá lá que até valeu a pena porque o caminho e a própria cidade estavam cobertos de neve o que dá sempre uma imagens porreiras.

Hoje, de volta ao trabalho mandaram-me para uma brach onde já sei que vou passar o mês de Janeiro todo. Fica a uns 15 km de Gloucester, numa zona menos boa (é eufemismo) da cidade de Cheltenham e não estava à espera que fosse diferente do que apanhei: 20 a 25 (!!) supervised consumptions ou colectas de controled drugs (que são das coisas mais trabalhosas e delicadas do que me passa pelas mãos) por dia, o movimento habitual de uma branch, uma mulher que escorrega no gelo e abre a cabeça, telefonemas a toda a hora, pessoas a querem falar comigo e uma equia "aziática" e um bocado maçarica. E agora a parte mais esquisita: eu gosto. A sério. A Vanessa é que se passa qando eu digo que me dou bem nisto...

Por falar nela, amanhã começa o seu bailinho pelas farmácias.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Let is snow



Hoje nevou em Gloucester.

Para os ingleses isso é como para nós vermos o Porto a ser campeão, mas para mim que nasci em Coimbra e que não tenho uma única memória de ver neve a cair, o dia foi especial.

Estava eu a entrar numa farmácia, em Abbeydale, às 08h50m quando começaram a cair os primeiros flocos. Era neve daquela..."mesmo neve": branca, leve, a cair devagar, a dançar ao sabor do vento e a cobrir o chão de branco.

Amanhã vai ser igual. Depois a partir de domingo a previsão não aponta para que caia neve... mas a temperatura perto dos 0ºC ninguém nos tira (para infelicidade da Vanessa que passa frio de manhã à noite).

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Fim de semana em Londres



Isto de andarmos pelas "Inglaterras" também não pode ser só trabalho-casa, casa-trabalho... Como tal, esta semana, e aproveitando o facto de estarem em Londres uns familiares da Vanessa, tirámos os fatos, metemos os jeans, saímos da parvónia e fomos até à capital.



Além de encontrarmos um ou outro tuga (o da foto é o Zé, um ex-londrino que agora anda a tentar a sorte em Itália), fomos ao Buckingham Palace e à Tower of London, passámos por Hide Park, fotografámos o Big Ben e Westminster Abbey, tomámos o pequeno almoço em Picadilly Circus, visitámos a Madame Tussauds, vimos as lojas em Oxford Street, almoçámos na ChinaTown e comemos metro até dizer chega. Ficou outro tanto para ser visto numa próxima, em especial a London Dungeon e um ou outro musical nas dezenas de teatros que aquilo tem. Da cidade, salta à vista que além de ser enorme e de ter muita muita muita gente ao fim-de-semana, faz juz ao título de capital mais cara da Europa.



Depois deste fim-de-semana, e olhando para aquilo que é a pacata vida de Gloucester, quase que dá vontade de ir viver para Londres... mas, a acontecer, não será nos próximos tempos.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Quando sai um dia calmo... tem de sair noite agitada

Hoje tive um dia de trabalho excepcionalmente tranquilo. Depois de uma semana a ser enviado para as piores branchs possíveis, hoje saiu-me uma organizada e com um volume de trabalho reduzidíssimo (comparando com o que tem sido o meu dia-a-dia).

Esta tranquilidade acabou por dar jeito, dadas as peripécias da noite. É que hoje eram três e meia da manhã quando acordámos com uma zoada enorme e imparável, dentro de casa. Acordámos nós e acordou o prédio todo. Era o alarme de incêncio. E tinha o epicentro bem na nossa casa. Mas o estranho é que não havia fumo nem fogo nenhum. Nada. Começou a tocar só porque sim.

Eu para variar, quando estou em sono profundo e acordo em sobressalto fico um bocado desorientado. Um bocado... Quer dizer... Não é bem um bocado, é um bocadão. Fico com o cérebro colado durante aí meio minuto: troco o nome das pessoas, não sei onde estou, não sei porque é que estou ali, não sei o que é que tenho de fazer a seguir... Uma comédia!

Quando finalmente "acordei", lá confirmámos que não havia fumo nem fogo, lá tive eu de ir à rua dizer ao prédio todo que o alarme tinha disparado sem razão e lá veio um gajo qualquer responsável pela segurança inspeccionar a casa e desligar o alarme.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Comunicado



O porta-voz dos dois tugas farmacêuticos de Gloucester aproveita este post para informar os interessados que nenhum deles irá a Portugal passar a quadra natalícia. O André diz que por ele não faz mal. A Vanessa chora só de pensar na ideia de passar o Natal e o Fim de Ano nesta ilha gelada.

Mais se informa que por forma a minimizar a distância está já agendada a chegada de reforços - pais do André - para passar o Natal.

Finalmente, os dois aproveitam, também, para informar que está já quase confirmada uma viagem  com destino a Portugal, para o mês de Janeiro. Tudo indica que a chegada será a um sábado e o regresso a uma segunda-feira (dá para umas boas rambóias), mas estão ainda a ser ultimadas as datas com a Lloyds.

Assim que houver novidades as mesmas serão anunciadas.

O Porta-voz.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pau para toda a obra


Estes primeiros dias foram... o que se esperava. Mandam o surdo para as branchs mais atarefadas e mais desorganizadas. Até aqui tudo bem... era o esperado.

Mas como se não bastasse, ontem e hoje andei tipo bombeiro. Passo a explicar: ontem comecei o dia, às 09h00m, em St.Pauls (Cheltenham). Às 09h20m estava a receber um telefonema a dizer que havia muito trabalho em Longlevens e que eu era lá preciso para dar second cover a outro farmacêutico. Lá vou eu para Longlevens o resto do dia.

Hoje ainda foi pior. Estava programado que iria para St. Pauls mas depois de receber uma mensagem, ontem às seis da tarde, comecei o dia, às 09h00m, em Abbeydale, como Responsible Pharmacist. Tinha feito o registo como tal há 10 minutos quando toca o telefone a dizer que o Locum (significa mais ou menos farmacêutico contratatado) de Longlevens estava atrasado e que a farmácia estava aberta mas sem poder dispensar (aqui, sem farmacêutico, as farmácias não podem dispensar receitas). Está de fazer o sign off em Abbeydale, meter-me no carro, chegar a Longlevenens, fazer o sign in e começar a dar ao chinelo. Tudo isto para passado menos de uma hora chegar o Locum, fazer o sign off em Longlevens, meter-me no carro, chegar a Abbeydale, e continuar o dia.

O que vale é que eles me pagam a gasosa do Lagemobil, a Vanessa trouxe um GPS e eu me safo bem a conduzir à esquerda (mesmo com os 500 fios dentro do carro que ligam o GPS ao isqueiro e o MP3 ao auto-rádio), senão acho que ainda a esta hora andava perdido aí nalguma estrada deste fim de mundo.

E digam lá que esta não é a aventura...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amanhã vou para a selva



Ontem acabei o Training Period. Hoje fiz o reconhecimento do terreno (tempo de viagem, porque o caminho só mesmo com o GPS). Amanhã começo a trabalhar numa branch que é uma mistura de "vê se te avias" com "o fim do mundo em cuecas". Já lá estive um dia e sei que me espera mesmo muito muito trabalho. Fico lá até 6ª e no sábado passo o dia numa outra que desconheço mas a Vanessa diz ter informações confidenciais que revelam que se trata de outra selva.

Nos próximos tempos será assim: uma especie de yo-yo humano a saltar de branch em branch, a cumprir a sua rota mensal. Depois, daqui a uns meses, se calhar vão me querer fixar. Mas aí pode ser que nós tenhamos outros planos, porque o que não falta por cá são oportunidades. Mas isso só com mais experiência, masi estudo e com uns conselhos de quem já por cá anda...

domingo, 29 de novembro de 2009

Habemus carro



Depois de muita procura, depois de comermos muita chuva, depois de vermos muitos carros e depois de muita gente nos ter tentado enganar, lá escolhemos um carro. Se calhar fomos enganados... é como os melões... só depois de uns tempos é que vamos saber, mas pelo menos escolhemos quem queríamos que nos enganasse.

É um Vauxhall (nome que eles aqui dão à Opel) Astra dos antigos, primeiro registo em 1998, experiente (83.000 milhas no lombo), cor de vinho tinto, com rádio letor de cds, pneus, vidros, volante, pára-brisas, faróis e bem estimado. No negócio ainda deu para incluir 6 meses de imposto e 1 ano de MOT (inspecção mecânica). Preço conseguido: £1000 (que é como quem diz 1100€).

Não é grande coisa mas também não fazia sentido gastar muito num carro com volante à direita que só será útil enquanto cá estivermos. E depois, por mil libras... queriam marisco, não?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Tina que era Tena



Sem ser tão cómodo como trabalhar em português, trabalhar usando a língua inglesa não tem sido muito problemático e, salvo um ou outro termo técnico, o meu vocabulário e gramática até têm dado para comunicar com algum à vontade.

Têm, no entanto, surgido, a miúde, uma ou outra situação engraçada. Principalmente ao telefone, e com nomes ou moradas de pessoas, que é quando as minhas dificuldades aumentam.

Hoje à tarde, toca o telefone e eu atendo. Do outro lado um senhor de idade tenta-me descrever uma situação. Não apanho tudo mas pelo meio percebo que ele tinha estado hoje de manhã na farmácia e que a situação tinha a ver com a sua filha: a sra. Tina Pats! Digo-lhe para esperar um bocado e pergunto a uma das minhas colegas se sabe alguma coisa sobre esta tal de Tina Pats... Gargalhada geral: não era Tina Pats. Era Tena Pants (que dito soa quase ao mesmo) e não se tratava do nome da filha do homem. Era mesmo o produto que ele queria: umas fraldas para incontinentes Tena Pants.

Contado tem pouca piada mas na hora ficou tudo a rir.  Em especial porque já não é primeira vez que me acontece: num dos primeiros dias pedi ajuda por causa de um telefonema sobre um tal de sr. Norm, primeiro nome Oxi. Quando pedi ajuda e expliquei que era para um tal de Oxi Norm deu gargalhada. É que Oxynorm é o nome comercial de um forte analgésico e não de uma pessoa.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Não aguentei...


...e tive mesmo de copiar para aqui este mail que recebi hoje. É um texto do melhor escritor cómico português e já tens umas semanas, mas o que este gajo escreve vale quase sempre a pena, e desta feita não é excepção:

"A MINHA PÁTRIA JÁ ESTÁ NO MUNDIAL

Bom, não estará completamente, mas para lá caminha. Não quero parecer demasiado optimista. É certo que faltam ainda uns dois jogos decisivos mas, em princípio, em breve fica tudo resolvido e a minha nação estará na África do Sul: Luisão e Ramires já se apuraram, Aimar e Di María (e, quem sabe, Saviola) também, Óscar Cardozo está igualmente qualificado, Quim, César Peixoto e Nuno Gomes podem estar quase, assim como Maxi Pereira, e o seleccionador de Javi Garcia já disse que o tem debaixo de olho.

Vai ser um Mundial em cheio, talvez como o de 1990, em que também estivemos presentes. Decorria a fase de grupos quando o meu primo me telefonou: «Estás a ver o jogo do Benfica?» Claro que estava. Boa parte das pessoas chamava-lhe Brasil-Suécia, mas era o jogo do Benfica: Ricardo Gomes, Mozer, Valdo, Schwarz, Thern e Magnusson como titulares, e Glenn Stromberg ainda entrou, para dar ao jogo um cheirinho a velhas glórias. Foi um belo desafio dos meus compatriotas. Espero que o próximo Mundial me traga mais desses.
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Talvez a maioria dos leitores não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Benfica. Sou português, claro, até porque o Benfica é português. Sou lisboeta, até porque o estádio da Luz fica em Lisboa. Mas a minha pátria é o Benfica. Sempre achei que pertencia mais ao país de Schwartz, Valdo e Filipovic do que ao de Fernando Couto, Jorge Costa e Sá Pinto. Os jogadores do Benfica são meus compatriotas; os da selecção nacional, nem sempre. Muito provavelmente, o leitor considerará que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Ruben Amorim ou Fábio Coentrão do que de Liedson ou Pepe. É absurdo, eu sei, mas é assim.

Tenho estado a fazer uns tratamentos e aguardo resultados positivos em breve. Todos os dias, escrevo 10 vezes num caderno a frase «O Benfica não é obrigado a golear todos os jogos». E depois leio e finjo que acredito. Tudo isto serve para tentar moderar o entusiasmo, que é injustificado. O calendário tem sido favorável ao Benfica. Ainda não defrontou Porto, ou Sporting, o que já aconteceu com os outros. O Benfica limitou-se a dar três ao facílimo Paços de Ferreira (que empatou com o Porto) e dar quatro ao muito macio Belenenses (que empatou com o Sporting). Tudo jogos fáceis, claro. O avanço do Benfica não significa nada. Basta-me repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e portistas já conseguiram. Deve ser uma tarefa simples."
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Ricardo Araújo Pereira

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Quase a acabar o Training Period

Estamos de volta e agora para ficar. Depois de muito provavelmente o vizinho ter começado a perceber o porquê da sua net estar mais lenta e dos seus consumos terem aumentado, lá nos decidimos a pôr net por nossa conta.

Entretanto durante estes dias de ausência, e dois meses depois de ter iniciado o processo, fiquei finalmente registado na Royal Society e legalmente habilitado a exercer como farmacêutico no Reino Unido. Como é hábito por estes lados, o processo da Vanessa está inexplicavelmente atrasado. Começo a ter a certeza que a burocracia no UK se assemelha à 5ª Dimensão: por muito que faças tudo direitinho é sempre um mistério se as coisas vão correr bem ou atrasar...

Isto de estar finalmente registado dá-me jeito, em especial porque em princípio dentro de uma semana acabo o Training Period. Digo em principio porque ainda me falta conseguir fazer uma run de 1500 checks sem cometer ou deixar passar nenhum erro. Basicamente, trata-se de verificar em 1500 linhas de perscrição (1 linha = x caixas iguais), se o que foi dispensado (por mim ou por outros) está acordo com o que foi perscrito pelo médico e se foi correctamente etiquetado (tudo = quantidade, molécula, dose, forma farmacêutica, posologia, nome do utente e prazo de validade).

É básico mas para quem entra na farmácia às 8h30m da manhã e só dela sai às 18h30m, com trabalho a aparecer de todos os lados, há momentos em que o cérebro perde 1% da concentração e deixar passar qualquer coisa. Se esse momento coincidir com um erro do colega que fez a dispensa: é tramado. Em princípio 1500 checks correspondem a uma semana sempre a verificar, sem cometer erros. Comecei hoje mesmo uma contagem. Tenho uma semana para ver se despacho isto.

Depois disso... epá já não me apetece escrever mais hoje.

Esta continua a ser a aventura...

sábado, 14 de novembro de 2009

Acabou-se a mama


Acabou. Já não apanhamos a net do vizinho.

Desde sexta feira,13 de Novembro, que não conseguimos apanhar a net dele. Nem com protecção de password nem sem protecção. Eclipsou-se totalmente. Ainda pensámos que ele poderia ter desligado o modem por ser 6ª feira, 13 mas se assim fosse já o teria voltado a ligar. Mas não. Nem sinal...

Escrevo neste momento, sozinho, num McDonalds (que foi o único sítio que arranjei com net para poder ver o jogo de Portugal) para avisar que vão voltar a passar uns dias até pormos net.

Até já.

P.S. - O menino da foto acabou de marcar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Problema aparentemente resolvido

Segunda-feira, não trabalhei de manhã. Cheguei à farmácia, às 14h00m e disseram-me que tinham ligado para lá de manhã, do Head Office, a perguntar o número de telefone da Vanessa. Como na minha farmácia acharam estranho, quando entrei perguntaram-me se tinha acontecido alguma coisa e eu tive de pôr o pessoal a par do que vos descrevi há uns posts atrás.
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Entretanto, por coincidência nesse dia tinha chegado o meu teste de Law and Ethics e Manager da minha farmácia (que é quem me orienta o Training Period) disse-me que era acessível. Vai daí fui fazê-lo o que fez com que passasse uns 40 minutos no andar de cima da farmácia.
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Quando desci, e (pressuponho) após alguns telefonemas entre a Manager da minha farmácia e o Area Manager, foi-me perguntado se me importava de trabalhar no mesmo local da Vanessa pois havia a hipótese de ela completar o estágio na minha farmácia. Disse que não, que para mim era o mesmo que trabalhar com qualquer outra pessoa, até porque seria por pouco tempo. Vai daí, está o problema aparentemente resolvido: a Vanessa acaba o estágio na minha farmácia (onde o pessoal é cinco estrelas). No fundo vão ser só umas semanas que vamos partilhar pois já não faltará muito para acabar o Training Period.
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P.S. - Passei no Law and Ethics (fotos tiradas, claro).
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P.P.S. - Gracias, pelos feedbacks que nos têm chegado relativos ao vídeo anterior.

domingo, 8 de novembro de 2009

E depois há estes...

Três horas depois de começar (o que dá a bela média de cerca de dois minutos de trabalho por cada segundo de filme), aí está o vídeo da tarde de ontem. Para quem conhece o trabalho do produtor, aproveito para avisar que não deu para arranjar todas as ferramentas necessárias e por isso não saiu nenhuma obra prima. Aproveita-se o o conteúdo...
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Assim sendo, e depois de mais uma vez lembrar o aviso aos espectadores mais sensíveis, aqui fica em exclusivo mundial o "Tardada de Singstar em Gloucester":
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Mas também há momentos bons...

...como a tardada de Singstar que hoje tivémos, já que lá fora estava um frio de rachar. Possivelmente amanhã, teremos documentos desta tarde, em exclusivo mundial neste blog.
A Direcção do blog aproveita, no entanto, a ocasião para apelar, desde já, aos espectadores mais sensíveis para não verem o que aí vem.

sábado, 7 de novembro de 2009

Também há momentos maus

As coisas do lado de cá vão mais ou menos... mal.

Pelo meu lado, o Conversion Period até corre bem. Tive sorte na farmácia onde calhei, onde já tiveram outros farmacêuticos na mesma situção e sabem o que isso é, e onde as pessoas tem sido cinco estrelas comigo. Dentro de algumas semanas, começará o tempo de Relief Manager e, depois, quando me sentir confiante acho que vou bater asas para outras possibilidades (a seu tempo escreverei sobre isso... ainda faltam uns meses).
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Pelo lado da Vanessa... tem sido pior. O entusiasmo à partida não era o mesmo e, para juntar a isso, teve o azar de calhar numa farmácia onde nunca tinham tido Conversion Pharmacists. Como tal têm sido pouco receptivos às suas normais necessidades de aprendizagem, têm-lhe criado um ambiente de pressão e parte da equipa tem mesmo sido um bocado hostil.
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Ela ainda aguentou muito mas agora achou que não dava mais. Vai daí, vai tentar falar com o Area Managager para mudar de farmácia para o Conversion Period. Esperemos que consiga. Se não conseguir vamos ter que ver o que fazemos. Há várias hopóteses em cima da mesa...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Os nativos


Um mês de contacto com os ingleses já deu para tirar algumas conclusões sobre este povo e para ficar chocado com outras tantas. Eis, pois, aquilo que por aqui encontrámos:

Povo simpático e educado - Ovelhas ranhosas há em todo o lado e isto não são só santos, mas, no geral, isto é um povo simpático e muito educado (têm, por exemplo, o hábito de agradecer ao motorista do autocarro cada vez que saem do mesmo).

"Pontualississíssimos" - 17h00m são 17h00m. Não são 16h59m, nem 17h01m. Ponto a favor do UK, que nisto eu também não gosto de facilitar.

Habituados a uma uma sociedade multi-cultural - até agora já trabalhámos com duas farmacêuticas espanholas, uma italiana, uma polaca, um indiano, uma chinesa, um paquistanês, já convivemos com o tuga do restaurante e cruzamo-nos diariamente com católicos, protestantes, muçulmanos, brancos, pretos, mulatos, altos, baixos, louros, morenos... Para eles já é normal ter gente de todo o tipo a passear pela rua. E isto é só uma cidade pequena, imagino o que será Londres.

Pouca vontade de trabalhar - Há muita gente que só trabalha em part-time (só umas horas por dia ou só uns 3 ou 4 dias por semana). Aliás, esta aversão ao trabalho, pode ser também uma das razões pelas quais há tanta procura de farmacêuticos por cá. É que eles não estão para estudar nem para se sujeitar à pressão do lugar, preferem um lugar onde não tenham que fazer tanto. O tuga agradece! Outro dos exemplos desta quase preguiça é que almoçam sandes todos os dias (acreditamos que seja para não terem trabalho de cozinhar o almoço).
a
Super-defensores do que é deles - Regra Nº1 - O que é Inglês é que é bom. Regra Nº2 - Se não for inglês: ver regra Nº1. Olham de lado para tudo o que não for deles. Bastava que os portugueses tivessem só metade da auto-estima e confiança neles próprios que estes gajos têm, para termos saído da cauda da Europa há muito tempo.

Relutantes à mudança - Como corolário do ponto anterior, tudo o que implique mudar hábitos é um castigo.
a
Não sabem o que é café um de jeito - Já nos queixámos desta, mas continua a ser incrível. Não sabem o que é um expresso. Bebem meio litro de uma água suja, muito fraca, à qual gostam de juntar tudo quanto são chantilys, marshmallows, canelas, bolachas e bem lá no fundo um bocado de café.
a
De fazer impressão - Duas coisas que nunca tinhamos visto e que ainda nos fazem um bocado de confusão. 1- Mulheres muçulmanas de burka na rua (sim, daquelas que só mostram mesmo os olhos). 2 - Pais que passei os filhos pequenos com uma trela (sim, como a dos cães, com travão e tudo para carregar se eles fugirem).

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Calculations test

Para acabarmos o estágio com sucesso e passarmos mesmo a trabalhar como farmacêuticos, por cá, temos de ter aprovação em dois testes.
Hoje tive o primeiro deles: o Calculations Test. Basicamente, a minha manager virou-se para mim ontem e perguntou se eu o queria fazer hoje. Aceitei porque se tratava de um teste de contas de química e a minha basófia dizia-me que o estudo que eu ia fazer era zero, por isso ser hoje ou outro dia era igual.
Ia confiante, o pior foi o teste que me apareceu pela frente: 20 perguntas de escolha múltipla dum género que já não via desde o 12º ano, que obrigavam a muitas contas e, nalguns casos, a consultar calhamaços para obter dados. Numa hora só tive tempo de fazer 17 (precisava de acertar 14 para passar) e não deu para verificar nada. Entreguei com menos confiança do que quando começara, mas com a noção de que o que tinha feito estava bem. Não me enganei: acertei 16, passei e ainda deu para sacrificar cinco minutos durante o exame a fotografá-lo para a Vanessa. Oxalá o dela seja igual.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O melhor Benfica desde o Eusébio...


...e eu em Inglaterra. Mas não seja por isso: se para ganharem a Champions for preciso eu ir para a Sibéria, compro já os cobertores.

Teve de ser...

sábado, 24 de outubro de 2009

Um mês em Gloucester - Benção Real

Estamos em Gloucester há um mês.

Como forma de comemorar este facto, a Coroa Inglesa teve a amabilidade de mandar a Gloucester Sua Alteza Real a Rainha Isabel II, em pessoa.

Infelizmente, estávamos a trabalhar e não pudémos estar presentes. No entanto S.A.R. foi recebida, em frente a nossa casa, por milhares de populares de Gloucester que se encarregaram de a fazer esquecer da nossa ausência.


Na imagem, a chegada da lancha com membros da Família Real, mesmo em frente ao Double Reynolds Warehouse.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O custo de vida


Uma das preocupações que tínhamos quando viémos prendia-se com o custo de vida no UK: uns diziam que era caríssimo, outros diziam que nem por isso. Até ao momento eis as conclusões a que chegámos:

Casas - Ponto Portugal. Rendas ligeiramente mais caras no geral... mas a opinião poderá mudar quando voltarmos a procurar já que, de momento, estamos numa zona moderna da cidade e se calhar se formos para os arredores arranjamos, sem grande dificuldade, melhor e com o mesmo conforto.

Televisão e net - Empate. Muitas companhias diferentes a oferecer os serviços (Virgin, 3, BT, Sky,...) mas os preços acabam todos por ser muito semelhantes aos portugueses: TV básica por £10-15 /mês, canais codificados de desporto por £20/mês, canais de filmes ou outros pacotes de pay-per-view por £10-15 /mês, net rápida por £10-15 /mês (ou no nosso caso à pala do vizinho).

Telemóvel - Ponto UK. Oferta novamente enorme de servidores, mas desta vez com o preço a ser muito mais baixo que em Portugal. Em geral, com £10 de 3 em 3 meses falamos de borla para a mesma rede, mandamos mensagens até não ter dedos, temos skype e messenger à pala e uma quantidade de net que dificilmente gastaremos. Chamadas para outras redes a £0,10 /minuto.

Transportes públicos e combustíveis - Ponto Portugal nos transportes, ponto UK nos combustíveis. Viagens de comboio e autocarro em geral mais caras aqui. Como para já usamos autocarro todos os dias, comprámos o passe e poupamos algum. Combustíveis caros mas menos que em Portugal (não era dificil).

Carro - Goleada UK. Preços incomparavelmente mais baixos do lado de cá. Carro citadino novo ronda £5000-6000, por £7000-8000 já se compra uma gama melhor. Carro jeitoso em segunda mão £2500-3500 (há-os a partir de £1000). Com o dinheiro que se paga por um citadino em Portugal, compra-se aqui um carro de gama alta.

Comida - Empate. A carne aqui é ligeiramente mais cara, o peixe declaradamente mais caro e com menos variedade. Depois também são mais caros o vinho, o azeite e os condimentos. Tudo o resto (vegetais, fruta, massas, cereais, sumos, água, leite,...) é mais barato aqui e se comprado a dobrar ou triplicar tem em geral desconto. Muito boa é, também, a variedade e qualidade dos produtos de marca branca dos supermercados. Contas feitas, o que se paga a mais na carne e no peixe, acaba por se recuperar no resto.

Restaurantes e cafés - Ponto Portugal nos restaurantes e goleada no café. Comer fora fica, em média, mais caro aqui: duas pessoas pagam mais ou menos £25-30 para comer fora num restaurante bom. Quanto ao café é estupidamente mais caro aqui, principalmente se tivermos em conta que não vale sequer a água em que é feito. É mau demais. É uma água suja, diluída e onde eles insistem em por todo o tipo de chantily, marshmallows e toppings. Parece tudo menos um café. Espresso: em geral, desconhecem.

Material electrónico - Ponto UK. CDs, DVDs, Blu-Ray, PS3, PC, XBox... tudo mais barato aqui.

Resumindo, não é um luxo viver o dia-a-dia no UK. O pior neste momento, mas que acaba por não ter influencia directa para já (pois ainda não estamos a cambiar moeda para euros), é o facto de a libra ter caído bastante face ao euro, nos últimos tempos. Veremos como se comporta nos próximos tempos...

Esta é a aventura...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um dia normal


Eis um dia normal por estas bandas:

Acordo às 07h00m, tomo banho, visto-me, tomo o pequeno almoço, meto num saco o almoço que eu ou a Vanessa cozinhámos na véspera (alternamos) e saio.

Atravesso a cidade em dez minutos (para cortar uma paragem de oito minutos no autocarro), apanho-o em London Road e dez minutos depois estou em Hucclecote, na Branch 905 da Lloyds.

Começo a bombar antes das 08h30m e a primeira vez que olho para o relógio são para aí uma 12h. Continuo até às 13h, altura em que páro para almoçar. Como em quinze minutos e passo os outros quarenta e cinco a estudar ou a preencher as fichas que me estão destinadas durante o estágio. Recomeço às 14h (não sei se terei este luxo quando acabar o treino) e continuo a bombar até às 18h30m.

Incrivelmente quanto mais faço mais parece que há para fazer. Há sempre trabalho novo a aparecer e quanto mais se fizer num dia, menos se acumula para o dia seguinte.

Saio às 18h30m, apanho o autocarro de volta, vou para casa. Aproveito o que resta do dia para ver mais uma leis (nem sempre), jantar, falar com quem estiver no skype, ver umas séries, jogar um poker... ah, e dia sim dia não, fazer o almoço do dia seguinte.

Hoje, para variar, não vou fazer nenhum. Vou ver o Porto e aproveitar a noite. Amanhã não trabalho...

Esta é a aventura...

sábado, 17 de outubro de 2009

Porque hoje é sábado


Cá estão os dois marretas... Na primeira, e até ao momento única, foto tirada por terras de Sua Majestade. A escassos metros da entrada do Double Reynolds Warehouse e com vista sobre parte das docas de Gloucester...

Pai Natal em Gloucester


Hoje o Pai Natal passou em Gloucester, que é como quem diz, chegaram 3 caixotes de Portugal.

Entre outras ninharias, traziam: alguma roupa quente, dois edredons (já pode vir o Inverno) e um LCD de 30''.

Bottom line: já liguei a Playstation. Agora parece uma casa de gente...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O trabalho... e nós.


Quem, acidentalmente, tropeça no blog, pode por vezes pensar que estamos em Gloucester de férias, ou quando muito de Erasmus. Mas, de facto não... Estamos cá em trabalho(s!).

Quanto ao trabalho, e para quem conhece a realidade do que é a farmácia comunitária em Portugal, posso dizer que as diferenças são mais que muitas. Para começar (e distinguir logo completamente do nosso país) nota-se que a lei aqui é cumprida a cem por cento. Ninguém desvia um milímetro que seja. Se é medicamento de prescrição obrigatória é-o e acabou. Não há cá desvios.

Depois, quanto ao papel do farmacêutico na farmácia, não tem nada a ver com o que se passa em Portugal. Aqui ele é o elemento chave. Sem ele não sai um medicamento de prescrição da farmácia (ela inclusivamente deve fechar se ele não estiver) e na sua presença, todos os de prescrição que saem tem obrigatoriamente de ser seleccionados e/ou verificados por ele.

Também quanto ao papel da própria farmácia na comunidade as coisas por cá são mais activas, com uma variedade de serviços bem mais envolvente (todos sob a alçada do farmacêutico): desde, por exempolo, a vigilância da toma das doses diárias em doentes em terapia de desmame de estupefacientes até, por exemplo, à preparação exaustiva da medicação de utentes que já não tenham capacidade para o fazer.

Tudo isto para dizer o quê? Em primeiro lugar para dizer que aqui há muito mais trabalho para fazer. Desde que entramos até que saímos é sempre a bombar. As horas passam mais rápido porque há muito, mas mesmo muito, para fazer. Em segundo lugar que aqui há muito mais pressão não só para conseguir fazer tudo o que há para fazer mas também para garantir que tudo é bem feito porque não podem passsar erros por nós. Em terceiro lugar que, como há muita coisa nova, estes têm sido tempos difíceis (nos primeiros dias então, pareciamos estagiários outra vez) e de muito estudo (bem... não tanto como devia). E por último, que todas estas diferenças no trabalho nos tem afectado de modo diferente... eu gosto de todo este ritmo e de toda esta novidade (nem que isso implique estar, por momentos, na parte de baixo da pirâmide pois têm de me ensinar tudo) enquanto a Vanessa preferia a comodidade do sistema português onde de facto, por um lado, já dominava tudo e, por outro, não estava diariamente sujeita a tanto desgaste.

Esta é a aventura....

P.S. - Há mais diferenças...irei falando delas...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A segunda melhor casa do mundo


Depois de vermos um barraco e mais umas casas engraçadas, lá nos decidimos...

Escolhemos um apartamento moderno, numa zona remodelada de Gloucester, nuns antigos armazéns junto às docas (que há muito tempo eram usados para guardar mercadorias e que há poucos anos foram remodelados para criar apartamentos). Tem um quarto grande, uma casa de banho porreira e uma sala/cozinha enorme e com os confortos normais numa casa. Tem tudo e mais alguma coisa. É XPTO. Ou pelo menos assim parecia até aqui passarmos a primeira noite.

Estão a ver o "Se7en", aquele filme de 1995? E estão a ver aquela cena em que o Morgan Freeman vai jantar a casa do Brad Pitt a convite da mulher dele porque eles não se davam muito bem, e o ambiente do jantar está um bocado tenso? O que é que desbloqueia o ambiente? Exacto: o Pitt tinha acabado de comprar o apartamento mas o vendedor só lho tinha andado a mostrar a determinadas horas e por pouco tempo, para que ele não visse que, de hora a hora, passava ali mesmo ao lado o metro, que fazia abanar a casa toda, fosse noite ou dia.

Connosco não é tão mau mas tem parecenças: estávamos nós descansadinhos a dormir na primeira noite quando acordamos e começamos a ouvir um barulho que se assemelhava a algo entre granizo a bater no vidro ou água a correr pela rua. Pensámos: "porra... chove e bem." Vou à janela e...nada. Nem chuva, nem granizo, nem água...nada.

Investigamos um bocado mais e constatamos que mesmo no nosso quarto (na casa XPTO), passa um cano que, caso os vizinhos resolvam descarregar o autoclismo às 4h da manhã, faz um basqueiro que é de ir às lágrimas. Não acordamos a meio de todas as noites, mas às vezes incomoda e de que maneira. É daquelas situações em que ficamos tão lixados connosco que só dá para rir.

Tirando isto a casa é porreira e pelo menos vamos tendo net à borla. Dêem nos os dois primeiros meses para darmos conta de tudo o que há a fazer (não é nada pouco... mas disso falarei em breve) e depois comecem a aparecer por cá. A morada é: Apartment 1, Double Reynolds Warehouse - Gloucester Docks. Gloucester GL1-2EN. United Kingdom.

Esta é a aventura...

sábado, 10 de outubro de 2009

As primeiras duas semanas


Caros, estas duas semanas de quase total ausência do blog foram repletas de experiências por estas bandas.

Como já disse, o voo até Bristol foi óptimo e não houve problemas com as malas. O pior começou assim que "botámos" pé na santa terra de Gloucester: estação de comboios bem linda... mas sem ninguém à nossa espera. "Tá porreiro!" - pensámos nós - "Malas na mão, cidade completamente desconhecida cansados da viagem e ninguém para nos dizer para onde ir." Lá foi o surdo ao mail ver o número de quem nos andava a tratar das coisas, para esse alguém falar com alguém da Lloyds para ver o que se havia de fazer. Lá nos arranjaram um very nice hotel para 14 noites, ao que eu na minha inocência respondo: "Não se preocupe, não serão precisas tantas noites... daqui a uns dias já temos casa". Tá bem, tá...

Chegámos ao hotel numa 5ª à tarde e começámos a procurar casas na 6ª de manhã. Como a net era caríssima no hotel, ficámos com o número para ver umas 10 casas para não termos de voltar a usar a net. O primeiro... ãh... qual é o termo científco?...hum...ah sim... barraco podre, que fomos ver era indescritível. Gastámos £15 de táxi para lá e outras tantas de volta para ir ver um conjunto de quatro paredes partidas em 3 divisões, a que chamavam casa. Saímos de lá brancos (Vanessa), doidos (moi) e à espera do pior nas casas que se seguiriam.

As restantes foram melhores e dentro das 6 ou 7 que fomos ver (não vimos mais porque tínhamos urgência em ter endereço para tratar de outras burocracias e porque só tínhamos táxi ou autocarro e cada casa vista representava custos) acabámos por escolher uma casa muito porreirinha sobre a qual voltarei a falar em breve.

Pensámos: "o pior já passou. Escolhemos casa e em breve estamos lá". Pois bem, meus amigos, posso-vos dizer que os artistas da agência de arrendamento demoraram a bela quantia de doze dias, doze, a verificar se nós eramos quem dízíamos ser e se tínhamos o emprego que devíamos ter. Não adiantou ir lá dia sim dia não, explicar que tínhamos urgência, que andávamos a dormir num hotel, que começávamos a trabalhar em breve, que precisávamos de uma prova de endereço... nada. Não facilitaram um cara***. Andámos de casa às costas por duas semanas: a dormir num hotel, a almoçar num restaurante de supermercado e a jantar quase sempre o que comprávamos no supermercado. O almoço até era bom e barato mas já andávamos fartinhos de jantar todos os dias chicken wings ou sandes de atum (para não jantar sempre em restaurante).

Felizmente, desde há quatro dias, já dispomos do conforto de ter casa própia e de podermos cozinhar... o que, no entanto, não impediu que não fossemos ontem passar a noite a um hotel... já que um de nós deixou a única chave de casa dentro da mesma. Eu não sou de dizer quem foi... mas eu não fui!

Esta é a aventura...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Alô Portugal, daqui Gloucester... escuto!


Família, amigos e conhecidos: OS GAJOS AINDA POR CÁ ANDAM!

Finalmente temos casa. Net só no telemóvel (o que tem dado um jeitão para falar com a família "à pala" pelo Skype e para ver e mandar alguns maisl). Bem... só no telemóvel...não é bem assim... é que hoje liguei o computador e verifiquei que havia uma rede ao meu alcance que não pedia pass. Vai daí, até prova em contrário, temos net... à pala.

Epá temos tantas novidades que nem sei por onde começar. Para já só posso dizer que estamos alojados, que até aqui chegar tem sido uma luta, que vida emigra é lixada no início, que andamos todos rotos, que o trabalho é lixado (pelo menos até entrar tudo na cabeça), que parecemos estagiários e que isto, repito, tem sido lixado. Mas a malta tem-se safado.

Vou postando por estes dias, enquanto o vizinho não nos descobrir, e à medida que me for lembarndo de tudo o que há para dizer. Já de seguida... a história da casa que é quase quase quase 5 estrelas (mas mesmo quase).

Esta é a aventura...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Alive and kicking (but not much)

Já cá estamos. Mas não está fácil...

Resumidamente, porque tenho pouco tempo para usar a net: bom voo até Bristol, nenhum problema com a bagagem, boa aterragem, boa viagem até Gloucester, ninguém à espera, umas chamadas e lá nos arranjaram um local para ficarmos (bem) alojados.
Net é cara onde estamos e por isso tentamos usar só o necessário, começámos a procura de casa.
Encontrámos algumas, fizémos umas marcações, fomos ver uma, era um barraco pequeno e horrivel, aumentámos os critérios (leia-se, o que agora pensamos vir a pagar) e gardámos mais uns números para o caso das marcações virem a originar mais barracos.
Aguardamos ansiosamente (leia-se, com medo) pelas próximas casas. Haja confiança...
Não sei quando voltarei a ter net. Aquele abraço e obrigado aos que estão a torcer por nós.
Esta, sim, é a aventura...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Leaving on a jet plane



...So kiss me and smile for me

Tell me that you'll wait for me

Hold me like you'll never let me go.

'cause Im leavin on a jet plane

Don't know when I'll be back again

Oh babe, I hate (/have) to go

É agora


E pronto... o dia está aí! Amanhã passamos a noite em casa da Vanessa, no Porto, de onde sairemos 5ª de manhã, bem cedo, com destino ao aeroporto de Bristol e depois até Gloucester.

Entre a chegada, o arranjar casa, o meter net e o ter net em casa devem ir uns belos dias, como tal, não prometo quando voltarei a escrever no blog.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Até Já

Nos últimos dias, dada a proximidade da partida com data incerta de regresso têm-se sucedido as jantaradas de "até já". Para aqueles de que, por circunstâncias diversas e/ou distância a que se encontram, não me despedi pessoalmente aqui fica o meu ATÉ JÁ!
P.S. - No último dos jantares, uma malta amiga surpreendeu-me com um livro ao qual foram acrescentadas algumas dedicatórias. Quanto a elas, e sem desprimor pelas restantes, algumas considerações:
1 - Pardas e César - fartei-me de rir com o que escreveram.
2 - Kid - uma sugestão: arranja um caderninho de duas linhas. Para quem comanda meia Scania tens uma letra que dá pena.

Um dia 15 a 0


Dizem que os dias têm 24 horas. Acredito! Mas por vezes, dado o fluxo de "afazeres" que despacho, há uns que parecem ter para aí umas 50000. São dias que não só ganho como chego a pensar que goleio. Chamo-lhes os dias 15 a 0 (eu sei que sou um bocado esquisito!).

Hoje foi um desses dias. Deu para atafulhar o carro (no Porto) de coisas da Vanessa; descarregar o carro em Coimbra, contactar a tradutora de documentos, ir buscar o que havi a traduzir, deixar as folhas para traduzir à tradutora, passar pela Académica, marcar um jantar, constatar que o contrato da Lloyds chegou, preparar a equipa da Fantasy League para continuar a limpar o rabinho aos meninos da Liga do Reis, escolher operadora de telefone e net no UK, mandar mail a avisar que chegamos 5ª feira, fazer o check-in do voo, jantar com a maltinha de Coimbra, mandar umas postas no blog e ganhar uns torneios de poker.
Amanhã prevê-se outro semelhante para que nada falhe no dia da partida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Já tínhamos saudades...


Mercê de uma greve nos correios britânicos (vinda na pior altura possível), a carta com todos os documentos para a RPSGB só hoje chegou ao seu destino. Escusado será dizer que faltam coisas:

1 - Faltam traduções do reconhecimento notarial dos passaportes (e se calhar o respectivo reconhecimento das próprias traduções... de rir) .

2 - Falta uma carta da Universidade (mais a tradução... e se calhar o reconhecimento notarial da mesma) a dizer que ainda não temos diploma e que o certificado é algo que oficialmente o substitui.

3 - O normal. São necessários dois documentos de cada um de nós, enviados pela Ordem dos Farmacêuticos portuguesa. A OF diz já ter enviado. A RPSGB só recebeu uns deles. De quem? Claro... da Vanessa. Os meus? Who knows...

Bottom line: mais uma carrada de trabalho para resolver esta salganhada. E quem o vai ter? Pista: o nome começa por A.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Começam as despedidas

Com o aproximar da data da partida, começam também as despedidas.

No último fim de semana (passado ao estilo Big Brother, com a malta do pharmaoeste, numa casa em Santarém) já foram as primeiras.
Agora, esta semana, que é a última de trabalho, despedida do pessoal farmácia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Temos bilhete


Saímos de Portugal a 24 de Setembro. Faltam 15 dias.

Já não cai um Ryanair há muito tempo...

Esta é a aventura...

sábado, 5 de setembro de 2009

Tenho que ficar lixado

Vamos trabalhar para o estrangeiro... sou eu que envio C.V.s. Há que marcar testes de inglês...sou eu que falo com a empresa. É preciso comunicar com a Lloyds... sou eu que mando os mails. Temos que nos inscrever na RPSGB... sou eu que junto os 238o7562105 documentos. Queremos um blog... sou eu que escrevo.
Chega uma carta da Lloyds... traz um contrato apenas. O de quem? Vanessa.
Tenho que ficar lixado. Opá, tenho...

Esta é a aventura...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Finally

Coloquei a última apostilha do tribunal, no último reconhecimento notarial, da última tradução, do último documento. Juntei os dois anexos 1, os dois anexos 2, os dois anexos 4, as fotografias, os cheques e as fotocópias autenticadas dos passaportes. Fechei o envelope. Entreguei e registei nos correios. Daí fui até à Ordem, em Coimbra, e pedi para eles enviarem, para a RPSGB, os documentos que lhes competem.
E com isto saía-me de cima um peso de 100 kg. Estava feita a primeira etapa de registo na Royal Society. A primeira...
Esta é a aventura....

terça-feira, 1 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Começamos a 5 de Outubro


Já há data para começar a trabalhar: cinco de Outubro.
Se partirmos a vinte e pickles de Setembro vamos ter uma semana e meia para arranjar casa, comprar carro, montar a antena da TVCabo, comprar a licença para ver televisão, comprar o que não levarmos daqui e for essencial, arranjar telemóvel britânico e arranjar net.

Uma semana e meia: chega, sobra e ainda dá para descansar.

Acelerou outra vez...


Pois.

Segunda feira de loucos: contactar tradutora de documentos, perder a hora de almoço para lhe dar os documentos a traduzir, ir ao notário autenticar fotocópias de passaportes, receber mail de 15 páginas da Lloyds com o contrato, as normas, as condições, etc...

E os 35ºC não ajudam a tornar o caminho mais curto.

Para logo outra maratonazinha: levar a assinar o atestado médico da Vanessa, cancelar o contrato com a Optimus, arrumar as ultimas coisas lá de casa e começar a ver datas de voos.

O que vale é que o Benfiquinha vai ganhar ao Setúbal e sempre são duas horas bem passadas a ver a bola.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E porque não?


Ir ver o Benfiquinha a Goodison Park? 5 de Novembro...quem sabe...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

VV


Mudança de planos!

Feito o estudo, levar carro para Inglaterra representava um gasto demasiado grande, numa viagem demasiado enorme, para depois chegar lá e andar num carro com o volante... demasiado ao contrário de todos os outros (com o perigo acrescido que isso significa). Vai daí levar carro ficou fora de questão.


Mas ficar lá sem carro também não é opção. Como tal, já andámos a ver opções e estou certo que compramos carro(s) bom, barato (aliás indescritivelmente barato quando comparado com os preços em Portugal) e com o volante do lado certo. Para não ficar cá com o carro parado, e como teremos sempre o da Vanessa das vezes que cá viermos... vendi o VV.

Calma... Eu sei que o carro era mítico, subia rotundas, tinha pneus que duravam 96.000 kms e era já uma imagem de marca da minha pessoa... Mas também era só um carro e com o dinheiro da venda compro lá um melhor, pago o seguro de um ano e ainda sobra algum. Além disso vai parar às mãos de uma pessoa que o vai estimar bem mais que eu, por isso... já está.

Esta é a aventura...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dar ao chinelo


De volta à faculdade...

É assim que me sinto depois de agarrar no meu último companheiro de quarto e de passar umas horas com ele: "Medicines, Ethics and Practice: A guide for pharmacists and pharmacy technicians".
Basicamente, é a minha introdução à lei que regula a prática da actividade farmacêutica no Reino Unido. Na prática é mais que isso: é o regresso aos estudos (a que acho que vou ter que me habituar nos próximos meses); é o adaptar à leitura, escrita e interacção em língua inglesa a todas as horas e o tomar conta da nova realidade legal que nos espera.

Esta é a aventura...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aldeia global


Eu e a Vanessa temos tentado planear ao máximo o início desta aventura. Tentamos saber o que é viver em Gloucester, o que é ser farmacêutico em Inglaterra, qual o custo de vida (casa, carro, bens de primeira necessidade, telecomunicações,...), qual o valor dos impostos, quanto custam as viagens. Queremos ir preparados e para isso temos procurado muito e recebido algumas ajudas.

Um dos problemas que mais nos preocupava era como raio iríamos pagar a inscrição na RPSGB, já que só o podíamos fazer através de ordem postal dos Correios britânicos ou de um cheque de uma conta britânica. Acontece que não temos acesso a uma coisa nem à outra. Como resolver isto?

Coincidência das coincidência, um farmacêutico português de Blackburn que nos tem ajudado muito no tal processo de conhecimento da realidade inglesa, veio a Portugal por estes dias e veio passar uns dias bem perto de Coimbra. Oportunidade perfeita para o conhecer, trocar mais uma ideias, conhecer mais pormenores do que é a vida em Inglaterra, aceder a um cheque de uma conta britânica e, bónus, cambiar euros por libras (para os primeiros tempos) sem ter de pagar taxas nem comissões a terceiros.

Foi uma aula prática do que é a vida, no mundo, neste início de século XXI: Internet, conhecimentos online, comunicação por mail e messenger, mobilidade simplificada e facilidade em resolver problemas. O mundo é cada vez mais pequeno!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

À bolina


Ponto da situação: o barco encontra-se a bolinar...

Depois de um início de processo em que quase diariamente se sucediam as novidades e em que todos os dias havia qualquer coisa a fazer, o barco lá se pôs em andamento e encontra-se agora a navegar em águas calmas. O tempo está bom, baixámos as velas e vamos ao sabor do vento...

Trocado por miúdos, estamos à espera do atestado médico da Vanessa (Oh Portugal, que páras em Agosto e deixas ir toda a gente de férias...) e do certificado dela da Universidade para que eu depois possa ir mandar traduzir isso tudo e reconhecer a papelada ao notário.

Só depois disto é que podemos enviar tudo para a RPSGB e meter mais velocidade no barco. Lá para meio de Setembro teremos novidades deste capítulo.

Esta é a aventura...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Espinhos

Nem tudo são rosas nesta história de ir para Inglaterra. Ou por outra, são rosas mas tal como todas também têm espinhos.

"Ah e tal... porque é giro... e vai ser uma aventura..." Pois, mas calma aí! Vai ser uma aventura, sim senhor, mas de certeza que nem tudo vão ser coisas boas.

Pessoalmente uma das coisas que mais temo é esta:


Agosto, calor infernal em Portugal, Sol todos os dias e... Gloucester com nuvens.
Ai que saudades vou ter do Sol.

Esta é a aventura.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tecnologias

Com uma mudança destas em mãos, todos os dias há qualquer coisa para planear ou, pelo menos, à qual dispensar alguma atenção. Hoje foi o dia das telecomunicações: ver tarifários de telemóvel, ver tarifários de internet, tomar noção da realidade da taxa de televisão...

Quanto aos telemóveis parece-me que estamos cinco estrelas. O que não falta são operadoras e nestas coisas da concorrência, já se sabe, quanto maior a disputa, melhor para o consumidor. Do que lemos, parece que o melhor é mesmo optar pelo "pay as you go", o equivalente ao nosso pré-pago, que não nos prende e até tem uns tarifários engraçados: quase todas as operadoras têm chamadas grátis dentro da mesma rede e quanto às chamadas para Portugal... Skype.

Um luxo este Skype! Experimentei hoje, depois de muita insistência de um amigo e fiquei fã. Qualidade na transmissão e recepção de voz, possibilidade de video-chamada e melhor... tudo "à pato". Agora é só pôr isto em casa dos papás, ensinar a trabalhar e convencer todos os contactos relevantes a fazerem o mesmo.

Internet: não demos muita atenção. Fomos lá por dedução: se no telemovel estamos sobre rodas, na net não há-de vir grande problema.

Televisão: queres ver no ecrã, pagas taxa. Queres inventar e ver no PC, pagas taxa. Achas que és esperto e queres enganar os gajos: pagas multa. Conclusão: 140£ por ano são inevitáveis.

Esta é a aventura...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma aventura nunca vem só...


Orientados que estão os primeiros documentos para o registo na RPSGB e enquanto aguardamos resposta da Lloyds para saber se podemos fazer o registo apenas quando estivermos no Reino Unido, muitos outros problemas têm de ser resolvidos.

Neste momento andamos às voltas com o transporte dos nossos carros para lá. Ponto prévio: sim, vamos levar carros. Vamos trabalhar num meio onde a rede de transportes públicos não é muito vasta e a mobilidade a tempo e horas é algo que vai ser fundamental no nosso emprego. Sim, já sei que conduzir à esquerda vai ser tramado mas havemos de aprender.

Até ver, contactámos, por mail, oito empresas que fazem transporte de bens pela Europa. Já responderam duas. As respostas foram de rir: uma pede à volta de 1500 €, a outra não está para modas e atira o belo preço de 2500 €. Devo ter sido pouco explícito... se calhar perceberam que era para transportar dois tanques.

Conclusão, se as próximas seis respostas rondarem estes valores já sabemos...sai um road-trip por essa Europa fora até Gloucester...

Esta é a aventura...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Manual de sobrevivência perante novas oporunidades


Basicamente, já todos estivémos perante novas oportunidades. Pessoalmente, penso que tudo se resume a 4 fases:


1 - TREMES
É inevitável! Quem negar que passa por esta fase está a mentir.
Qualquer mudança radical ou qualquer oportunidade que valha a pena encerra em si um salto no desconhecido que cria em nós um medo enorme. Daí que a primeira fase que se viva perante uma nova oportunidade é mesmo a tremideira. Pensamos que não dá, que é areia demais para nós, que se calhar é melhor arranjar uma desculpa e fugir... basicamente, pensamos que não conseguimos. É normalíssimo! Por mais "leão" que se seja, ninguém consegue não passar pela tremideira.


2 - ACEITAS (no matter what)
Aqui é que a porca torce o rabo! Muita gente não chega a esta fase e deixa que a tremideira tome conta da decisão. É uma fase onde a tremideira ainda não foi ultrapassado mas que, mesmo cheios dela e ainda sem saber bem como é que nos vamos safar, damos o passo em frente e, aparentando uma dose inabalável de confiança, dizemos "Sim" à nova oportunidade.


3 - PERCEBES QUE SE OS OUTROS CONSEGUEM TU TAMBÉM HÁS-DE CONSEGUIR
É a fase simetricamente oposta à primeira. É aquela em que tomas consciência que, afinal, o bicho-de-sete-cabeças não tem tantas cabeças assim e já houve gente que o conseguiu, logo não será de todo impossível. Começas a acreditar que é possível e a tremideira começa a desaparecer.


4 - DESEMERDAS-TE
É a fase simetricamente oposta à segunda. Já aceitaste, agora não podes voltar atrás!
Está aceite, está aceite! Agora resta trabalhar "como o caneco", "dar ao chinelo", ler muito, reunir muita informação, tomar consciência do que há a fazer e meter mãos à obra. É mais ou menos como ver a terra atrás de ti a cair e ter um caminho à frente para onde andar. Só resta correr...para a frente. Já nem há tempo a perder a pensar na fase 1. Isso já foi. Agora que está aceite, não há volta a dar. É trabalhar, acreditar muito, trabalhar, não desistir, trabalhar e... quando dermos por ela está a acontecer o que queremos.
Esta é a aventura...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

UK (also) works on paper


Quando trabalhava em Figueiró dos Vinhos era normal cruzar-me com alguns estrangeiros. Certo dia, uma senhora holandesa que decidira vir gozar os seus anos de reforma para Portugal, disse-me, queixando-se da burocracia do nosso país e de todos os papéis, impressos, selos, carimbos e afins que tinha de preencher: "Portugal works on paper".


Lembrei-me hoje dessa senhora.

É que passei a tarde, de um lado para o outro, a tentar reunir a papelada que precisamos de enviar para Inglaterra a fim de nos inscrevermos na RPSGB (Ordem dos Farmacêuticos lá do sítio). Bem... há de tudo. São formulários, são anexos, são atestados médicos, são certidões de nascimento, são provas de nacionalidade, são diplomas,... Até a porra da fotografia que cada um mandar tem que ser assinada por alguém que nos conheça há mais de dois anos, que se identifique, que não seja da família e que escreva por trás das mesmas que eu tenho o belo aspecto que a foto documenta e que a Vanessa também é tal como está a foto. De rir...

Ah... e cada documento que enviarmos em português tem que levar anexo uma bela tradução em inglês, feita e assinada por um tradutor licenciado para tal e reconhecida por um notário. Porreiro... já temos (tenho) entretém para a próxima semana...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Gloucester, UK


Tomada a decisão de partir e com uma proposta do Reino Unido nas mãos, era-nos possível escolher entre uma série de diferentes destinos. Como o nosso conhecimento da geografia do país fica assim entre o zero e o muito pouco, procurámos apenas uma cidade que, sem ser muito pequena, não fosse uma das maiores (para que o custo de vida não seja tão elevado mas para que também não nos obrigue a ficar desterrados no meio do nada). Além disso, a nossa outra única exigências era que ficássemos perto do mar.

Gloucester é pois uma cidade que nos parece responder a estes desejos. Trata-se de uma cidade portuária de tamanho médio, localizada no sudoeste do país, com cerca de 120 000 habitantes (semelhante, pois, a Coimbra)e com grandes cidades a uma distância razoável (Cardiff e Birmingham mais ou menos a 100 km cada e Londres a cerca de 200 km). Tem rio, tem mar, tem futebol, tem rugby, tem cricket, tem Lidl, tem Tescos, tem ingleses, tem estrangeiros, tem carros a guiar à esquerda, tem chuva até dizer chega... epá, tem tudo o que uma cidade britânica tem. Basicamente é isto...

Esta é a aventura....

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Genesis - Parte II


"A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem dos indivíduos"
Anaís Nim

Trata-se, pois, de uma oportunidade estimulante barra assustadora. É daquelas situações em que o copo está a meio... Para uns meio vazio, para outros meio cheio.

Eu, tendencioso como sou, digo que está bem à vontade meio cheio: trata-se uma experiência única, que será sempre valorizada quando voltarmos, que nos vai dar um andamento e pêras, que nos permitirá ganhar um dinheiro engraçado e que se não fizermos agora provavelmente já não faremos.
A Vanessa vai alternando entre o meio cheio e o meio vazio: falar sempre inglês não é fácil, vamos estar sozinhos pelo menos nos primeiros tempos, o clima é horrível, quase não há Sol o ano todo, o Benfica este ano é campeão fácil e não vamos estar cá para esfregar isso na cara do Pardal, vamos sentir falta dos amigos e a ajuda da família, há muita burocracia na mudança,...

Sinceramente, agora que penso, há horas em que o meio vazio também me passa pela cabeça. Aí, páro, inspiro fundo e uso a frase que sempre me moveu ao longo da vida:

Porra, se os outros conseguem por que é que nós não havemos de conseguir?
Esta é a aventura...

Genesis - Parte I


Daqui a vinte anos estarás mais decepcionado pelas coisas que não fizeste do que pelas coisas que fizeste. Portanto, livra-te das bolinas e navega longe dos portos seguros. Pega os ventos da aventura. Sonha. Explora. Descobre.
Mark Twain

Uma típica tarde de Maio, daquelas em que os dias se vão tornando cada vez maiores, como que a dizer que o Verão se aproxima. Uma tardada de amigos na Mansão, uma esplanada, uma hora de café com amigos, um trajecto de carro a três...

Se tivesse que marcar no tempo o início desta aventura, este seria o momento. A gota de água que fez transbordar o copo da resignação e me fez, finalmente, ver que já não estava satisfeito com o que tinha. Já não bastava o emprego estável e com bom ambiente, que não dava chatice nenhuma e onde se ganhava razoavelmente bem porque a rotina instalara-se e já nem o futebol chegava para me estimular. A minha ambição por desafios obrigava-me a mais....

A juntar a isto, os oito anos de namoro com a Vanessa também já pediam algo mais. Ou como, dizia um brasileiro que conhecemos há uns meses: "Oito anos de namoro? Minina... ele 'tá te enrolando!". Mas a vinda dela para Coimbra ou a minha ida para o Porto seria sempre a cedência de uma das partes...

É então neste contexto que pensamos na possibilidade de ir para Inglaterra. Pesquisa para aqui, curriculum para ali, mail para acolá e o telefone toca. Querem-nos lá! Trata-se da oportunidade para ambos que provavelmente daqui a 5 ou 10 anos já não fará sentido, de aceitar um desafio novo num país diferente, para um trabalho bem pago e com mais responsabilidade e que provavelmente será uma mais-valia para o futuro. Além disso, a possibilidade ideal de iniciarmos uma vida a dois em território neutro.

Esta é a aventura... O relato segue dentro de instantes...