quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estamos vivos

Perguntaram-me há dias se este estaminé tinha morrido.

Não morreu, mas à falta de assunto também não tenho tido vontade de o arranjar. Basicamente tem sido a vidinha de casa-trabalho-Sunday League, com uma ou outra jantarada de Natal de permeio. E depois, com as pessoas  que querem saber como a maltinha vai, eu vou comunicando por Skype, whatsapp, viber, mail ou telefonando.

Amanhã chegam papai e mamãe para passar uma semana e já estou a contar os dias para o início de Feveriro, para ir a casa. É que já lá vai mais de um mês e um gajo se não convive com tugas durante muito tempo, perde faculdades. 

Falamos depois do fim do mundo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Semana de AM no Inverno

Quase não vejo a luz do dia desde segunda feira.

Em semana de "earlies" quando entro ainda é noite escura e quando saio já é noite cerrada. 

Salva-se uma hora de almoço em que, pelas janelas da cantina do Tesco, dá para ver luz natural, lá fora.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Crypt School

Dia diferente. Mais um.

Há coisa de um mês, quando começámos a dar vacinas da gripe, enviei uma carta a todas as escolas, universidades, quartéis da polícia,... Enfim a quem me lembrei. Disse-lhes que estávamos a dar vacinas e que se quisessem nos deslocávamos até eles. Nunca pensei que nos chamassem. Fi-lo para passar a mensagem de que o fazíamos na farmácia e, principalmente, para que se falharmos o objectivo de vacinas do ano, o chefe não me possa apontar que não fizémos o possível.

No entanto, uma alminha respondeu a semana passada. Uma escola aqui em Gloucester quería-nos lá para vacinar os professores e restante pessoal que o quisesse. Passei lá o dia hoje, com uma colega da equipa. Eu a espetá-los, ela a vigiar se eles não desmaiavam. Foram uma data deles, foi lucro para a farmácia, foi o chefe sem hipóteses de me apontar nada, foi promoção para a farmácia, foi um dia diferente e vai ser uma tardada de FIFA.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Burnham Week -1, Day 1 e Week +1

Tem sido durinho Burnham.

Na semana antes da abertura foi trabalhar até ter tudo pronto. É certo que tive a equipa de Burnham toda comigo mas também havia muito para fazer e muita gente para perseguir dado que muita coisa nunca mais chegava. Sexta-feira, por exemplo, faltava cartão SIM para o telefone, faltava fax, faltava alarme, faltava letreiro grande a dizer "Farmácia", faltava criar contas nos dois principais fornecedores, enfim... sexta e sábado foi das 08h às 21h.

No final, tínhamos a farmácia em versão "Gaja boa mas que não pode abrir a boca". Ou seja, olhava-se para ela e era vistosa. Estava perfeita, imaculada. Mais: estava pristine (adjectivo novo que aprendi no sábado e que me parece uns centímetros acima de imaculado). No entanto, não tínha "cérebro". A equipa é nova no mundo da farmácia e os dois farmacêuticos são novos no Tesco. Ou seja, estava lindíssima aos olhos mas a nível de processos não tinha nada criado, não tinha rotinas, não tinha sistemas de gestão a funcionar, não tinha quem soubesse o que era preciso fazer, não era auditável e não tinha papelada suficiente.

E foi isso que passei esta semana a mostrar aos meus colegas que, à bela maneira Tesco, foram mandados aos leões com três dias de treino. Vai daí, passsaram os últimos cinco dias a ouvir-me até à exaustão. Criámos sistemas auditáveis de gestão de stocks, de gestão de desperdício, de gestão de falhas, entrámos dentro da legalidade numa data de parâmetros, criámos uma rota de farmacêuticos patra os próximos meses, criámos a rota da equipa, promovemos a farmácia nas redondezas, começámos a ver os números crescer e amanhã já só faltam uns detalhes que acho que acabo em meio dia. 

Agora, com a quantidade de questões de gestão que recaem nos ombros de um farmacêutico, no Tesco, enviarem estes dois coitados para gerirem uma farmácia com três dias de treino (três dias esses em que quem lhes está a dar treino, está também a gerir a sua própria farmácia, em pleno mês de Novembro -  Inverno, vacinas da gripe, MURs, NMSs, email, chamadas, etc -) é a fórmula ideal para eles não aguentarem muito tempo.*

* - No dia em que eu comecei, fomos quatro a começar. Um saiu há dois meses, outro sai na próxima semana. Sobro eu e a ZamZam - uma farmacêutica indiana com jeito p´rá coisa.

sábado, 10 de novembro de 2012

Adenda

Acabo de ser informado que o vídeo do post anterior se encontrava bloqueado. Não foi intenção. Antes azelhice.

Problema (aparentemente) resolvido.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Do casório do Xor Pardaló

Foi o último de um ano recheado de casórios e pode-se dizer que foi uma grande festarola.

Da minha parte, enquanto padrinho, fica o sentimento de dever cumprido: fui sério quando tinha de ser sério, saquei um bom discurso quando foi hora disso e ajudei à comédia quando tal se impunha. No fim, foi a festinha habitual

Deixo um vídeo de uma das performances da noite. Pena que não apanhe a parte do discurso para eu provar que também consigo fazer coisas sérias... Enfim, fica a palhaçada do costume.



  Dean Regal, Jimmy Hendrix do Barlavento e Os Macacos do Costume

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Semana -2 em Burnham

Passei, então, esta semana em Burnham-On-Sea a ajudar a abrir a nova farmácia.  Estamos ainda na semana -2, o que significa que é só para abrir a 12 de Novembro e a mim, basicamente, foi pedido que fizesse o trabalho sujo.

Segunda-feira deparei-me com um buraco sujo, com umas prateleiras e dezenas de caixas de cartão por abrir. No armazém, esperavam me mais 46 caixas plásticas carregadas de stock. E comigo trazia um documento orientador de 50 páginas, outro de 100 e uma série de mails da PCT (entidade que fiscaliza e paga às farmácias) com pressupostos a cumprir. E o que me disseram, meus amigos, foi (perdoem-me a expressão): "Desemerda-te e transforma isso numa farmácia. Tens duas semanas. Começou.".

E foi o que o Tuga fez. Quase do zero. So faltou darem-me um berbequim para montar as prateleiras (provavelmente lêem o blog e sabiam que a coisa não ia correr bem entre mim e a bricolage). Tive de desempacotar tudo (computadores, dossiers, fax, consumíveis, folhetos, etc), perseguir coisas que faltavam, puxar pela cabeça, colocar etiquetas na farmácia toda, coordenar coisas com o equipa de gestão dos stocks, comunicar com a PCT, contratar farmacêuticos, promover a farmácia junto da equipa do supermercado, explicar-lhes a relação farmácia-resto do Tesco, explicar-lhes os princípios legais da farmácia, fazer visitas de charme e de divulgação a todos os centros de saúde da área, coordenar a ligação dos computadores com a empresa que trata disso, começar a espalhar o material promocional, visitar todo o staff da farmácia em cada uma das farmácia em que estão a treinar esta semana, arranjar passwords para toda a gente em tudo quanto é sistema do Tesco, estabelecer relações, atazanar a vida a muita gente e, no fim, como está tudo a andar conforme o plano, sair uma horinha mais cedo, hoje, porque já dei muitas a mais esta semana e me apetece ir jogar PlayStation.

No meio disto tudo, falta dizer que as coisas no Tesco nunca são como os documentos orientadores proclamam e um gajo tem sempre que se chatear e chatear gente para conseguir que a coisas sejam feitas. Por exemplo: ha sempre algo que tem 2 metros no documento e chega-nos à frente com 2,5 metros. E agora: Desemerda-te que é para estar pronto amanhã porque vem o Não-Sei-Quem fazer não-sei-o-quê e se isso não estiver pronto o gajo não pode fazer nada. 

E é por isso que eles gostam do Tuga: eles mandam-lhe com meias palavas e o gajo no fim apresenta um poema (e sem espernear nem andar a chatear ninguém). Claro, no fim têm que o ouvir a dizer que é craque...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Despedida de solteiro do Dr. Pardal

Dez.

Dez gajos.

A casa aguentou com dez gajos. Chegaram sexta feira para um fim-de-semana de rambóia, jantaram, foram conhecer as Docas, foram sair na cidade e dormiram todos cá em casa. 

No sábado, uma estreia para todos: Premier League. Fomos ver o Manchester City vs Swansea e ainda houve força para descer tudo para baixo e sair em Bristol.

Obrigado à maltinha pelo esforço de cá vir. A casa passou na rodagem e está pronta a receber quem quer que seja.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Peripécias do jardim

E agora... só mais um bocadinho de choraminguinho que já tínhamos saudades. Neste momento passam-me pelas mãos os seguintes projectos: casa (inclui compra de mobília e recheio, montagem de mobília, pequenas tarefas de bricolage e jardinagem), gestão da minha farmácia, abertura da nova farmácia em Burnham, organização de uma despedida de solteiro para este fim-de-semana e pensar em algumas coisas para um casamento, onde serei padrinho, daqui a duas semanas.

No meio disso tudo, o que vale é que comigo na bricolage há sempre motivo para rir. Podia dar para chorar mas é melhor um gajo rir senão é uma chatice.

Assim, neste momento, a juntar ao que já tínhamos, agora temos também sofás (entraram à tangente), móvel da televisão (faltam-lhe as gavetas porque comprámos as gavetas erradas e o IKEA fica em Bristol), tampos novos nas sanitas (essencial), armário na casa de banho e mais uma coisa ou duas. Vai daí, este domingo, farto de olhar para o cortador de relva na caixa, resolvi que era hora de parar de adiar o cortar da dita.

Erro 1 - Tínham-me avisado para não cortar a relva quando ela estivese molhada. Ignorei. Conclusão: de 2 em 2 minutos o cortador estava todo entupido de terra e relva "coladas" à lâmina e lá tinha o surdo de virar o cortador e limpá-lo "à manápula". Além de me ter feito demorar horas ainda fez com que passado mais de um dia ainda tenha as unhas das mãos negras, mesmo depois de as lavar vezes sem conta.

Erro 2 - O fio do cortador não chega para o jardim todo e não pensei em comprar uma extensão antes. Conclusão: 15% do jardim continua a parecer a Amazónia.

Erro 3 - Tenho pouca paciência para instruções. Descubro à base da tentativa e erro. Isso a montar móveis já provou ser terrivel e no jardim também deu barraca. É que montei o cortador depois de ler apenas as primeiras 4 páginas do manual (aquelas que ensinavam a montá-lo). Não li as restantes 16... pensei: "Porra, não deve ser difícil.... Deve ser só ir em frente e acertar na relva". Errado. As rodas do cortador têm três posições diferentes, consoante a altura a que queiramos cortar a relva. Coloquei-as aleatoriamente e acabei por definir o corte mais rente possível. Conclusão: com a relva cortada tão rente e a quantidade de humidade, o nosso jardim parece o Adelino Ribeiro Novo, em dia de Inverno, nos anos 90.

Resultado final: 60% de lameado com relva cortada tipo pente-1, 25% relva mais ou menos bem cortada (porque entretanto descobri como a atura das rodas podia ser mudada) e 15% de tufos não cortados. Está tão feínho mas tão feínho que a Vanessa quando chegou a casa só conseguiu dizer: "Pensei que ficasse mais bonito". Ao que eu respondi, confiante: "Não... É da chuva. Vais ver que cresce giro." 

Novidade no trabalho

Epá, com isto da casa até me tenho andado a esquecer da última em que me meti (/meteram). 

No seguimento da conversa em que o meu chefe me queria dar mais trabalho e mudar para outro lado e em que eu amavelmente disse que não, o homem ligou-me outra vez. Queria que eu ajudasse na abertura de uma farmácia em Burnham-On-Sea. Acabadinho de lhe dar o "Não" quanto a uma mudança permanente, e perante o desepero do homem, acabei por não conseguir dar nova nega.

Ando pois, há três semanas, a dar uma ajuda para que se abra uma nova Tesco Pharmacy, em Burnham-On-Sea. É algo novo para mim, e foi mais um calhamaço de folhas que tive de ler. Continuo muito à deriva, mas tenho feito o que posso: já criei uma rota para os farmacêuticos, entrei em contacto com a PCT (entidades regionais que controlam os dinheiros do Serviço Nacional de Saúde do UK) para saber que papeladas e treinos são necessários para se lançarem alguns serviços e contactei o futuro Pharmacy Manager e Relief Pharmacy Manager (ambos novos ao Tesco) para discutir umas coisas com eles. 

A partir da próxima semana, trabalharei em Burnham (dizem que é um sítio bonito, perto do mar... mas fica-me a mais de uma hora de caminho) e por lá ficarei por três semanas: as duas que antecedem a abertura e a da abertura. Acumulando com a gestão (à distância) da minha farmácia, em Quedgeley.

Não estou muito entusiasmado porque é mais trabalho que tenho (pelo mesmo cachet), mais horas de estrada que como e mais tempo que estou longe do sítio onde respondo pelos números. E isso nunca é bom. 

Enfim, é mais uma experiência que fica.

sábado, 13 de outubro de 2012

Os ângulo da casa

Temos aquecimento. Ai, opá... Que coisa linda! Opá, que maravilha! Que estão seis graus lá fora e a malta andava a comer frio há uma semana. 

Noventa libras de mossa. Podia ter sido pior. Os técnicos de gás, electricistas, canalizadores e afins fazem-se cobrar bem por estas bandas e só em mão-de-obra costumam aleijar. São noventa libras a menos mas pelo menos o esquentador não foi ao ar e agora sei trabalhar com ele.

Entretanto levantou-se novo problema. Encontrámos os sofás que queremos. Um de dois e um de três lugares. Bons, baratos e de entrega rápida. Só que começámos a fazer contas às dimensões dos sofás e ao tamanho das portas e não sabemos se eles passam. Só esta noite, passámos quase duas horas a fazer desenhos de sofás, a somar catetos e medir hipotenusas, a rodar cadeiras e a ver vídeos no YouTube. Conclusões: zero. Ainda não sabemos o que vamos fazer. 

De resto, o berbequim funciona e ainda tenho dez dedos. Mas as pontas que trazia são curtas por isso comprei mais um jogo de 12 pontas no eBay que só chegam segunda ou terça-feira (por menos de quatro libras querias entrega rápida, não?). Conclusão: até quarta ou quinta-feira, dormir depois das 7h30m só mesmo com a luz do Sol nos olhos.

E para domingo: mesas de cabeceira, movel da televisão e cortador de relva. Limpar a garagem há-de ser a última coisa... Diz que tem aranhas grandes.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sem tempo para vícios

Para termos noção de como o assunto é sério, comprei o FIFA 13 há dois dias. Ainda tem o plástico.

Brinca-oh-Lage

Tenho aí umas novidades relativamente ao trabalho sobre as quais escreverei em breve.

Entretanto: casa, casa, casa.

Estive de férias uma semana e, em vez de cá ficar a adiantar serviço, fui a Portugal (já tinha os voos marcados há meses). Como tal está tudo atrasadíssimo. Já temos abastecimento de net, tv e telefone mas a nossa sala, tirando a televisão, a PS3, a box da tv e o router da net (todos no chão), está vazia. Dois quartos têm camas e colchões e mais nada, o outro vai sendo arrecadação. As janelas não têm estores nem cortinados e o Sol nasce bem de frente para os nossos quartos. Temos coisas por todo o lado. A garagem ainda não foi limpa, a relva está grande e ainda não temos cortador de relva nem berbequim. Faltam toalheiros, a banheira não tem vidro, a cozinha ainda anda a ser arrumada, o frigorifico só hoje foi limpo e há papéis por todo o lado.

Também so temos água quente num chuveiro e o aquecimento centra não funciona. Ontem tentei arranjar isto. Fui à net, li umas coisas e descobri que o problema estava no esquentador: faltava lhe pressão de água a chegar. Lá investiguei, vi um vídeo no YouTube, abri duas torneiras, a pressão subiu e ficámos com água quente na casa toda e aquecimento central.

O pior é que a pressão no esquentador não parou de subir (pelos vistos tinha de fechar as torneiras) e, passados 3-4 minutos, enquanto eu procurava, na net, forma de fazer a pressão baixar... PUM!!! Rebentou qualquer coisa dentro do esquentador e alagou a cozinha toda. Pareciam as cataratas do Niagara... Mas com água a cheirar a ferro. 

Fiz asneira. Agora o esquentador liberta agua quando o tento ligar. Conclusão: já tive que ligar a um técnico e o gajo vem cá amanhã, dar uma vista de olhos no que o Espertalhão fez... Nem quero ver o "chimbalau" que vamos levar.

Ai cum caneco! Ainda falta tanto para disfrutarmos disto...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

3 anos de UK

Ontem fez três anos sobre o dia que cá chegámos.

O dia começou às 09h00m (um luxo) e, entre trabalho, mudanças, novas funções no trabalho e mais um ou outro projecto em que me meti, ainda não acabou.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ponto de situação da casa

Têm sido umas semanas tramadas de trabalho e gasto de dinheiro.

Neste momento temos a cozinha equipada, chão de gente na casa toda, dois quartos e uma casa de banho pintados e duas camas instaladas. 

Esta semana recebemos colchões, talvez pintemos a sala, damos uma limpeza total, mudamos tudo, tomamos decisões quanto a TV e Internet e mandamos instalar.

E só faltam oito dias para Outubro...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Flu Jab Service

Vou dar a vacina da gripe, este ano.

Fiz o curso prático anteontem: papeladas que o serviço envolve, técnica de vacinação, procedimentos em caso de reposta anafilática e suporte básico de vida (para pacientes inconscientes que não respirem).

Estou mortinho para começar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

The line in the sand

Na semana passada, ligou-me o Area Manager - o chefe - e, entre assuntos da farmácia de Quedgeley, disse que tinha uma farmácia com problemas, em Weston-Super-Mare, e que gostava de me mudar para lá, por algum tempo. Eu, como fui apanhado algo de surpresa, só fiz algumas perguntas e disse que falaríamos melhor esta semana, no final da reunião de grupo que temos de dois em dois meses. 

A reunião foi ontem. No final, fiquei com ele na sala e disse-lhe que queria falar sobre Weston-Super-Mare. Não foi uma conversa nada fácil. Primeiro, porque o que tinha para dizer não era fácil. E segundo, porque tive que o dizer várias vezes, porque várias vezes fui pressionado a mudar de opinião e porque, em todas elas tive que manter a minha posição... o que perante uma chefia é, no mínimo, desconfortável. 

Basicamente, ele queria enviar-me quatro dias por semana para Weston-Super-Mare (que fica de onde estou, como Coimbra fica de Leiria) e manter-me outro dia em Quedgeley. Ou seja, por um lado ia pegar num mono, numa farmácia sem rei nem roque e que ia exigir de mim muitíssima dedicação e um sem número de chatices. Por outro, ainda ia ter que continuar a responder por Quedgeley, com a desvantagem de não estar lá diariamente, o que sempre conduz a problemas.

Mas o pior nem era o trabalho que ia ter: com mais ou menos dificuldade, fazia-se. O pior de tudo é que ia trocar um local de trabalho que, daqui a quinze dias, me fica a 5 minutos, a pé, de casa; por duas horas na estrada, quatro dias por semana. Isto numa altura em que acabámos de comprar uma casa e que temos milhentas coisas para fazer e projectos para os próximos tempos. Ora, que mensagem é que eu ia estar a passar em casa, ao aceitar ainda mais trabalho e trabalho que me obrigava a passar mais tempo fora de casa? Não podia aceitar.

No final, não podia ser mais honesto e disse-lhe o que sinto: "Estou, profissionalmente, onde quero estar.  Tenho um emprego diferenciado, sou estimulado todas as semanas, dou resposta e consigo ver o impacto do que faço. Ganho o suficiente. Sinceramente, neste momento não ambiciono mais. Muito menos se subir na profissão me fizer perder tempo pessoal ou familiar. Não me passa pela cabeça ter um emprego como o teu, Tony. Pelo menos, nos próximos anos. Se eu sofro pressão, acredito que tu sofres o triplo. Não quero isso para mim. Pelo menos nos próximos anos..."

Não creio que vá ter consequências imediatas desta recusa e acredito que ele não me pode forçar a mudar. Veremos... 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Da vida de emigra - Análise gráfica I

Agora que recebemos a chave da casa, e já depois de termos tido problemas na conclusão do negócio, verificamos que a quantidade de burocracia, decisões e tarefas chatas que temos a fazer voltou a aumentar muito. Serviu isto para me pôr a pensar em como o trabalho que temos tido tem variado ao longo desta experiência. Penso que a coisa se pode resumir no seguinte gráfico "Trabalho vs Tempo":

Fig. 1 - Trabalho vs Tempo - Clicar para aumentar 

O gráfico representa a quantidade de trabalho que fomos tendo ao longo do tempo da experiência e tem como zero de ordenadas (t = t0) o primeiro dia em solo britânico.

A linha do gráfico inicia-se, pois, num ponto (t = ti) de ordenada negativa - uma vez que ainda estávamos em Portugal -, que marca o início dos trabalhos. A partir daí, e até chegarmos a solo britânico (t = 0) o trabalho foi sempre aumentando de forma constante: era o tempo dos certificados, do reconhecimento de documentos no notário, das apostilhas,...

Chegados a solo britânico (t = 0), o trabalho aumentou ainda mais, e de forma ainda mais pronunciada até atingir um máximo (t = t1), lá para Outubro de 2009. Este era o tempo da procura de casa, da abertura de contas no banco, do registo na segurança social, da adaptação a um novo emprego, do estudo, da finalização de inscrição na Royal Society, etc. Repare-se que o declive do segmento de recta [t0-t1] é bem maior que o declive do segmento de recta [ti-t0], demonstrando claramente que o tempo que se sucedeu à chegada a Inglaterra correspondeu a um aumento ainda mais acentuado do trabalho. Complicando podemos dizer que:  d' f(t) [t0-t1] > d' f(t) [ti-t0].

Passado o momento de trabalho máximo (t = t1), a ordem natural das coisas e a adaptação à realidade do lado de cá trouxe consigo uma diminuição do trabalho (segmento de recta de declive negativo em [t1-t2]), até estagnar em t = t2. O intervalo de tempo [t2-t3] representa na realidade um grande intervalo de tempo (fim de 2009 até meados de 2012) e pode ser denomindado de "rotina": intervalo em que uma vez instalados, adaptados estabilizados, o trabalho é mínimo.

E chegamos então ao ponto t3. Um ponto importantíssimo em que assistimos de novo a um aumento do trabalho, por vontade própria. É um ponto em que fartos da rotina, e tendo em conta outros factores -próximo post -, resolvemos embarcar em nova empreitada e nos metemos a comprar a casa. O trabalho aumenta de novo (segmento de recta [t3-t4] de declive positivo) até um ponto de trabalho máximo (t = t4), a que infelizmente ainda não chegámos.

Neste momento encontramo-nos algures no intervalo [t3-t4], o que significa dizer que estamos a ter umas semanas lixadas outra vez, divididas entre o trabalho nas farmácias e as horas passadas na casa. Prevê-se, pois, um Setembro complicado de medições, orçamentos, trocas de chão, escolhas de mobília, mudanças, etc (com duas idas a Portugal pelo meio). Depois.... bom depois é só deixar o tempo correr até t = t5 e, a partir daí, começar a aproveitar.

Até a cabeça nos dizer que é hora de fazer nova inflexão no gráfico e nos metermos na próxima empreitada.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Da vida de emigra

Eu, que vou a casa muitas vezes, nem sou dos que se podem queixar:  tenho amigos bem mais longe que só vão àquele país de sonho, encalhado entre Espanha e mar, de muito em muito tempo. Conheço, aliás, muitos outros que, mesmo estando perto, como aqui o Da Silva Lage, também não têm o luxo de ir a casa tão amiúde quanto eu vou.

Mas vem isto a propósito de um texto, que uma amiga partilhou nas redes sociais, escrito por uma portuguesa que vive com um pé em Londres e outro em Lisboa. O texto está todo muito bom mas tem duas passagens divinais que resumem genialmente esta vida de emigra.

A saber: "uma distância que nos impede de pertencer à rotina" e "A saudade, que só se tem em ausência, é ainda assim um saco que nunca se esvazia, mesmo quando estamos juntos todos os dias, porque são dias contados". Genial !

O texto todo aqui.




terça-feira, 21 de agosto de 2012

De volta

Os regressos a Inglaterra custam cada vez mais. E este, talvez por ser Verão, custou como se já fosse o próximo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

É oficial

Habemus casa. Desde ontem. Está oficializado.

Chaves na mão no dia 24. Para já, e por dez dias, Portugal.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A romaria com a casa

Não tenho escrito nada, em primeiro lugar, porque não há assunto e, em segundo, porque agora tenho dois empregos. Dez horas e meia por dia sou farmacêutico, no resto do dia, enquanto não estou a dormir, sou comprador de casa, o que no UK é coisa para ocupar como um emprego.

Desde início de Maio, altura em que a nossa oferta pela casa foi aceite, que nos me vi metido numa odisseia de burocracia. Escolher o banco da hipoteca foi fácil: foi só marcar uma reunião com seis ou sete bancos, analisar as diferentes ofertas que tinham e comparar com mais dois escrutinadores de mercado, fazer o resumo para a Vanessa, decidirmos o que era melhor para nós e confirmar com o banco que escolhemos. A partir daí: abrir conta no banco escolhido, transferir débitos e entradas para esse banco, escolher seguros e ter hipoteca aprovada. 

Depois entrámos na parte dos solicitors (notário). No UK qualquer compra/venda de casa tem, tal como em Portugal, de ser supervisionada por um notário, a diferença está que aqui eles trabalham mesmo em prol de quem representam (comprador e vendedor) e são responsáveis por tudo o que envolve o negócio. Ao contrário de Portugal, onde o notário basicamente assiste à assinatura de papéis, aqui, se a casa tiver um defeito que eles não tenham detectado, eles são responsabilizados por isso.

Conclusão, só de pesquisas e averiguações, os meninos demoraram dois meses. Mas também creio que investigaram tudo o que pode ser invertigado. Na semana passada, por altura que recebemos os últimos  documentos que lhes tinhamos que enviar assinados, para se dar, finalmente, a troca de contratos que oficializa a compra/venda da casa; recebemos o relatório das pesquisas que as crianças fizeram. Posso dizer que é um calhamaço de folhas A4 com mais de 5cm de espessura. Passei os últimos três dias a tentar lê-lo. Temos ali relatórios energéticos, pesquisas ambientais, análises de águas, cópias de papéis do arquitecto, previsões de fenómenos naturais, registos de todos os gajos que registaram uma obra, num raio de 100m, nos ultimos 5 anos, e mais 4,99cm de papéis que ainda estou a tentar perceber. Felizmente, no final, mandam um documento de 15 páginas com a opinião deles sobre a compra e a aconselharem que se faça o negócio. 

Só que mesmo assim, ainda há uma luta do caneco para fazer. Há sempre mais um pormenor burocrático que falta. Hoje, por exemplo, precisava de transferir uma avultada soma aos solicitors para ser trocada com os solicitors da vendedora, na troca de contratos. Como tinha esse dinheiro em contas poupança, não pude fazer a transferência online. Liguei para o banco, fizeram-me seis perguntas de identificação, falhei uma: conta bloqueada. E nisto falta uma hora para eu começar a trabalhar.

Lá vai o surdo, num instante, à cidade para ir ao banco. Chega ao banco, falta um documento. Lá vai o surdo para casa, buscar o documento. E as horas a passsarem... E depois são precisos mil papéis para finalmente libertarem o dinheiro, fazerem a transferência, deixarem o surdo almoçar qualquer coisa em dez minutos e ir trabalhar.

Felizmente, creio que já há fumo branco e que até final do mês temos a casa em nosso nome e a chave na nossa mão. Depois, é contrarar alguém para tirar a alcatifa e pôr chão de gente, mobilar e tratar do jardim.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Creta, 2012

Coisa boa, a nossa "fériazinha" na Grécia.

Tirando o hotel que, não sendo mau, estava longe daquilo por que pagámos, o resto foi cinco estrelas. Recomendo muito Creta: comidinha de qualidade (gastronómica e nutritiva), Sol do bom, grandes praias e muito para conhecer. 

A maltinha de Gloucester teve a companhia de um casal amigo, alugou um carrinho e andou a papar quilómetros pela ilha. Destaque para Chania, Elafonisi e o Lago Kourna. 

E não me canso de dizer, a dietazinha do Mediterrâneo é a melhor que há.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pausa para Verão.



Confirma-se: chove TODOS os dias como se fosse Janeiro em Portugal. Se o Verão não vem à malta, vai ter a malta de ir ao Verão. Partimos para ele este sábado... voltamos passado uma semana "e pickles".

Talvez depois do regresso, tenha mais assunto para escrever, em especial, espera-se que a nova casa passe finalmente a ser nossa e que depois comecemos com a trabalheira de a remodelar e mobilar.

Depois dou notícias. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Do Verão

Na Bíblia, choveu durante 40 dias e 40 noites. Chamaram-lhe dilúvio.

Em Inglaterra, chamam-lhe Verão.




E não imaginam como ficaram as calças do menino...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Registos do fim de semana

Sábado:





Domingo:


Da sexta não há registos mas também se tratou de uma grande coboiada: jantar anual da Liga da Acta, para comemorar o encerramento da época 2011/2012 da Fantasy League. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Estórias VII: Da Equipa-Maravilha

Nunca aqui falei muito sobre isso mas durante uns anos dei uns chutos na bola a um nível um bocadinho melhor que a Sunday League. Passei por várias equipas, fiz muitos conhecidos e alguns bons amigos. Como este fim de semana vou a casa para o casamentozinho de um deles e respectiva rambóia, resolvi deixar aqui um pequeno marco sobre o assunto.

Passei por muitas equipas de qualidade e ainda hoje me lembro do nome de, provavelmente, mais de 95% daqueles com quem joguei. Mas como não tenho tempo, espaço nem vontade de me alongar vou só falar de uma dessas equipas. Época 94/95, o meu primeiro ano na Académica, o ano da Equipa-Maravilha. 

Era o último ano de Infantil, de muitos daqueles com quem joguei durante muitos anos e, nesse ano, ganhávamos em casa, fora e pelo caminho. Tínhamos uma senhora equipazinha! Jogávamos muuuuito à bola. Tnato mais que limpámos a primeira fase do Distrital de Coimbra, limpámos a segunda fase do mesmo, limpámos a primeira fase da extinta Taça Nacional de Infantis e tudo isto sem sofrer qualquer golo. Sofremos o primeiro golo e a primeira derrota num jogo épico, no velho Campo da Constituição, frente ao FCP, de onde ambas as equipas sairam debaixo de uma grande ovação. Desta equipa, pelo menos uns dez fizeram todo o trajecto de camadas jovens do clube, vários jogam ainda em divisões secundárias e uns dois ou três são ainda hoje profissionais.

Só de fotos e recortes de jornais dessa época, graças à paciência do Sr. Meu Pai, tenho uns dois dossiers em casa. Infelizmente, aqui em Inglaterra não tenho nada e tenho que me cingir à única foto (de uma qualidade atroz) que fui capaz de encontrar no Facebook... Ainda assim, fica o registo daquele que era o onze habitual dessa equipa: Rui Calado na baliza. Defesa com Vitor Bruno, Zé Castro, Rui Paulo e João Morais. Meio campo com André Lage, Dani e Miguel Marques. Frente de ataque com Ricardo Freixo, Pedro de Mira (/André Santo) e Xano. 


P.S. : O gajo do casório, que depois evoluiu muito e nos anos segiuntes pegou de estaca, nesta equipa, infelizmente, não calçava.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tesco - Poeira assente

Numa altura em que já estamos com o Euro a decorrer e que, por conseguinte, tudo o resto pouco importa, aproveito só para escrever, rapidamente, sobre o emprego porque há algum tempo que não teclo nada.

Parece-me que a poieira assentou. Tenho cada vez mais mecanismos de gestão a funcionar na farmácia, os números estão a crescer de forma consistente, a equipa é muito boa (a melhor com que já trabalhei, em especial na forma como nos relacionamos) e mesmo quanto aos mails do chefe, já percebi quais são fulcrais e quais são "mais do mesmo".

Do outro lado da equação penso que estou a causar boa impressão junto da equipa (já sabem como sou modesto) e também tenho a impresssão que o meu chefe confia em mim (promoveu-me vários lugares na hierarquia das comunicações entre farmácias e delega em mim, a míude, tarefas de responsabilidade).

Agora feche-se o assunto e vamos ao que interessa durante o próximo mês.

terça-feira, 29 de maio de 2012

"...que quando queremos somos os melhores do mundo..."

Fazer o país depender do chuto-na-bola é um exagero. Mas o chuto-na-bola é, provavelmente, de todas as áreas, aquela em que mais sucesso temos e aquela em que que mais vezes ombreamos lado a lado com os melhores do mundo. Quem nos dera estarmos na educação, na luta contra a corrupção, na justiça, no acesso à saúde e na igualdade social, ao nível do chuto-na-bola.

Eu sou um orgulhoso tuga e a todo o lado que vou insisto em dizer que o Português é tão bom ou melhor que qualquer outro. Até prova em contrário, acredito nisto. Por isso, e porque sou grande fã da Selecção, além das grandes competições, adoro, principalmente, as três/quatro semanas que sempre as antecedem.

Sim, este vídeo é muito... pop. Mas gosto muito.



P.S. - O míudo é da altura do nosso melhor médio. Mas haja fé!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

550 kms para almoçar de borla

Ontem tinha uma malta amiga, em Preston. Um pessoal dos meus tempos de treinador na Académica que veio  passar uns dias no âmbito da parceria que a Académica tem com o Myerscough College. 

Como era domingo e não tinha nada para fazer, fiz os 275 kms que nos separam e fui lá almoçar com eles. São uma malta porreira e, mesmo não dando para muito porque eles tinham avião para apanhar à tarde, foi bom ver umas caras conhecidas para variar.

Aí fica a foto. O meu ar estique-la-pisse deve-se ao facto de eles me terem dito que iam falar numa conferência. Pensei que era uma coisa formal. Claramente, não era.


P.S. : Desculpas à malta do norte a quem não disse nada mas a Vanessa saía às 17h e os dias estão uma maravilha, de modo que ainda vim aproveitar o final da tarde.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Da semana e outros temas

Semaninha produtiva.

Uma data de coisas tratadas relativamente à casa: hipoteca acertada, nova conta aberta com banco da hipoteca, notário contratado, fiscalização à casa acertada, primeiras pesquisas quando a chãos.

Problema "do anel" resolvido, ao fim de seis meses. Daquelas "estórias" que parecem inventadas.

Grande reunião de trabalho na quinta-feira: sou o mais miúdo (o gajo mais novo a seguir a mim é de 1978) mas  tenho um andamento do caneco e estou a levar o barco a bom-porto. A minha mãe tem um pequeno desgosto por eu não querer continuar a estudar e não estar a tirar um curso de gestão, mas com a quantidade de treino virado para o "retail" que o Tesco me obriga a fazer, alguma coisa vai ficando.  

Único problema: dois meses depois de começar a trabalhar continuo a não ser pago correctamente. O Tesco tem-me com um código fiscal que indica este como sendo um segundo emprego. Resultado: sou taxado a 40% de tudo o que ganho (normalmente uma parte do ordenado não é taxada, uma grande parte é taxada a 20% e só uma outra leva com o chimbalau dos 40%). Conclusão: chega-me ao banco uma quantia mais pequena do que quando comecei como Relief na Lloyds. Fico doente! Já fiz umas 4 ou 5 chamadas para a Revenue and Customs e sei que eles já me puseram no código de impostos correcto, agora só falta a maltinha do Tesco pôr o código certo no computador e devolver-me tudo o que que foi taxado indevidamente nas últimas oito semanas. Não fica lá nada, eu sei, mas nesta altura em que tinha que tenho que andar a apresentar recibos de ordenado ao banco e em que a minha situação económica é avaliada, esta trapalhada só complica (entenda-se obrigou-me a arranjar mais papelada)

E, afinal, ainda deu para ver a Tocha Olímpica, na quinta-feira. Arrancou precisamente das Docas, às 8h15m, altura em que eu estava a sair para o trabalho. Dificilmente teria outra oportunidade destas.


Adenda: E foi também a semana do Verão, em Inglaterra. Não creio que 26ºC e céu azul se repitam muitas mais vezes no ano...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tocha em Gloucester


Quinta-feira a Tocha Olímpica vai andar por Gloucester e vai passar a cem míseros metros de nossa casa. Ora, como esta semana estou a fazer o turno tarde/noite, só entro às 12h30m e tenho a oportunidade única de assistir a um acontecimento histórico.

Infelizmente, o ____________ (preencher com adjectivo depreciativo) do Sr. Meu Chefe resolveu marcar uma  _______________ (preencher com adjectivo ainda pior) duma reunião para, precisamente, quinta-feira às 09h00m. 

Lá se vai a oportunidade...

terça-feira, 15 de maio de 2012

O novo projecto - II

E, portanto, foram essas as razões...

Foram dois meses de trabalho a procurar casa, ainda por cima coincidentes com a minha mudança de emprego, o que não ajudou muito. Agora são mais umas semanas/meses a escolher a melhor hipoteca para o nosso caso, procurar advogado barato para tratar da papelada (requisito obrigatório), encontrar alguém para nos tirar a alcatifa da casa e substituir por soalho e escolher soalho. Depois virá a grande aventura de mobilar a coisa.

Daqui a uns meses, quando tudo estiver acabado, boto aqui umas fotos. E depois, então,  é que deixa de haver desculpa para cá não vir.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O novo projecto - I

Quando aqui chegámos, o projecto era para dois anos...

Só que os dois anos já lá vão há mais de sete meses e sair daqui não está nos planos a curto prazo. Chegámos, aliás, à conclusão que é provável que aqui fiquemos mais uns anos. Eu gosto do meu emprego, sinto-me valorizado pela minha empresa e reconhecido pela sociedade, sinto que tenho aprendido muito, sou incomparavelmente mais bem pago do que em Portugal e vou a casa com alguma regularidade. Ela também tem as suas razões e voltar a Portugal, agora, para trabalhar na nossa área é ir rumo ao desconhecido e perder muitas regalias. 

Posto isto e ficando por aqui, temos de mudar de casa porque esta, embora bem localizada, há muito que está a ficar pequena. Ora, depois da facada que levámos no início do ano enquanto procurávamos nova casa para arrendar, começou a nascer em mim o desejo de investir por estas bandas. Comprar casa, mobilá-la à nossa maneira, viver com mais conforto e um dia, quando fossemos embora, vender.

É que faz todo o sentido. Alugar uma casa maior de qualidade significa pagar pelo menos £800 por mês. São £10000 por ano. Além disso, o merdado de habitação no Reino Unido é muito grande: compram-se e vendem-se muitas casas... Há quem passe a vida na property ladder: a comprar e vender casas. E neste momento, dada a conjuntura económica, o mercado está em mínimos históricos, o que significa que as casas estão hoje mais baratas que há uns anos e (o que nos interessa) que daqui a uns anos. 

Juntando tudo isto, e depois de uns meses de pesquisa, encontrámos uma casa que nos preenche os requisitos e vamos avançar para a compra.

P.S. - Está tudo aqui. Visto por pessoas de outra área mas com a mesma ideia. Basicamente, eu quero voltar. A sério que quero. Mas também quero voltar para algo que me valorize, que exija muito de mim e que depois me pague de acordo. 
Especialmente depois de comprovar na prática aquilo em que já acreditava: que não somos superiores a nenhum povo mas que também não há nenhum povo melhor que nós. Temos qualidade para, pelo menos, nos equipararmos a qualquer estrangeiro.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Casório 05/05/2012

Com um grande

Sempre uma boa desculpa para ir a casa. Grande casório. Custou voltar...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Conto tudo pr'á semana

Tenho grande novidade na forja... 

Mas hoje o dia tem de acabar cedo e daqui a umas horas voo para Portugal. Prometo que na próxima semana começo outro daqueles posts que se estende por três ou quatro partes.

Entretanto, além outra compra que fiz hoje, acabo de adquirir uma relíquia: a minha camisola 11 dos Kendal Road. Uma parte importante de toda esta experiência!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

TEDx Cascais

Só dois vídeos, dos muitos que populam o Youtube,  do recente TEDx que decorreu em Cascais. Um sobre mudança política, outro (um pouco idealista mas que, ainda assim, eu adoro ver) sobre postura perante a vida.


"Será possível resolver o problema da U.E. numa folha A4?"


"Tira-se o hífen"

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Adenda ao post anterior



Comecei a responder aos comentários do post anterior mas a coisa ficou grande demais para comentário e tem conteúdo para ser um post próprio. A saber:

Cesarini - 'Tou feito um chorinhas! Porra... Quase três posts a carpir mágoas. Qualquer dia ainda me apanham a dizer que  não gosto disto ou, pior, que o Benfica perdeu o campeonato por causa dos árbitros. O que efectivamente se passa é que, além de ainda estar na fase de adaptação, também andei dois ou três meses a construir a ideia de que isto agora ia ser "à rei". Achava que chegava lá, não havia nada para fazer, lia umas coisas, mandava uns bitaites e, ao fim do mês, "dá cá o meu". Ora não é. E nem podia ser.

Eugénio - Além de ser o início e da ideia peregrina de achar que isto ia ser "à rei", acho que o timming da mudança também não me favoreceu. Início de Abril, no UK, igual a mudança de trimestre e, principalmente, novo ano fiscal. Tenho tido muito trabalho extra por causa disso: tive que apresentar esta semana um relatório, à PCT, sobre  os MURs e NMSs do 4º trimestre de 2011/2012. Não sei se também vos exigem isso aí, mas aqui a PCT quer saber quantos MURs fizemos de cada grupo e em quantos o paciente tirou benefícios relativamente a uma série de parâmetros. E para os NMSs querem sabem quantos pacientes foram recrutados, quantos abandonaram na "Intervention", quantos abandonaram no "Follow-up", quantos foram concluidos e em cada fase mais uns 5-6 valores. Não é dificil de fazer e já estamos a usar umas tabelas para passarmos a recolher isso diariamente (rato velho: tinha  sacado da Lloyds, antes de me vir embora). O problema é que nos últimos meses ninguém fez isso portanto tive que recolher estes dados todos de uma vez. 

Depois, a PCT também quis, até final desta semana, um relatório sobre todos os erros e queixas que a farmácia teve em 2011/2012 e um resumo dos procedimentos mudados para os evitar. Depois, como é início de ano fiscal vou ter, em breve, uma auditoria interna sobre gestão de stock e dos 6-7 procedimentos avaliados, dois ou três não eram seguidos. Portanto tive de os implementar, arranjar papelada e explicar a todos. Como estou a começar, e há muita coisa nova que acho que deve ser discutida (o que vai organizar o trabalho no futuro) achei que tinha de ter uma reunião individual com cada membro da equipa para debatermos ideias, decidirmos procedimentos, analisarmos os números do ano passado (que acabaram de chegar) e vermos os targets deste ano. Não é dificil trabalhar comigo e acho que comecei bem com a equipa, mas era preciso sentarmo-nos 15 minutos sem nada à nossa volta só para "limar arestas". 

Ao mesmo tempo, toda esta semana tive locums a cobrir as minhas horas para eu fazer tanto treino qaunto possível. Ao preço que se paga esta ajuda extra, tinha de aproveitar ao máximo. Já fiz PGD de Travel Health e de Erectyle Disfunction e já posso dispensar Malarones e Viagras, pelas PGD, sem receita. O Tesco tem um site enorme de treino e formação: já fiz para lá uma série de pequenas formações sobre gestão (tem para lá assunto que nunca mais acaba). Depois tenho um parâmetro, chamado "Integração", que avalia a minha capacidade de integrar a farmácia no supermercado onde está inserida. Basicamente, avalia as relações que construo com o Director do Supermercado (SD), o Gestor de Stocks, o Gestor de Pessoal, o Gestor de Clientes e mais uns três ou quatro, se participo nas reuniões gerais do supermercado, se o SD está a par dos nossos números, se chateio quem tenho de chatear e se não fico lá só no meu guettozinho. Portanto tive que aproveitar a semana para dar atenção a isto... se calhar noutras semanas, sem cobertura, fica mais dificil. E pelo meio, tive que preparar uma reunião intermédia com o meu chefe directo (o RPM).

Tudo isto para dizer o quê? Para me vangloriar? Claramente. Mas também para dizer que é uma semana que não se repete. Estes relatórios, estas formações, muitas das reuniões... não terei que ter tantas, tão depressa. E quando as tiver será com muito mais conhecimento de causa.

Mas uma coisa te digo, tem sido fácil perceber porque é que o Tesco tem apresentado resultado positivos ano após ano, mesmo com a economia a retrair. Em primeiro lugar, muito rigor e controlo nos gastos. Só um exemplo: consumíveis. Na Lloyds era a gastar. Parecia a Papelaria Fernandes. No Tesco tenho um orçamento de miséria para gastar por semana, definido anualmente, e só sobe se os números subirem. E estamos a falar de coisas essenciais: etiquetas, tinteiros... É a esticar. E a mesma ideia serve para horas-extra do pessoal, níveis de stock, rigor no endorsing, escolha do pack-size de medicamento mais barato pelo Drug Tariff... E depois uma máquina enorme de pressão a empurrar para as receitas. Todos os dias, há duas reuniões de 5-10 minutos com todos os gestores do supermercado (Team 5) para olhar para os números e perceber onde é preciso pressionar. Uma organização muito rigorosa.

Enfermeiro - Depois deste testamento não sobrou muito para ti, pá. Olha... boa sorte com a tua mudança.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Vai para aqui uma luta...

Isto de estar sempre disponivel para a mudança e de querer sempre ir em busca de melhor, nem sempre sai bem. Faço o mea culpa: foi um erro deixar a Lloyds. Ou melhor, o erro não foi deixar a Lloyds. O erro foi ir para o Tesco. Vidinha dura, pá! Se a tiver de resumir em duas frases sãos as seguintes: 

- Trouxe mais trabalho para casa (relacionado com farmácia), na última semana, do que em 6 anos de trabalho.

- Fiz mais horas-extra por minha própria vontade (leia-se: para o tecto), na última semana, do que em dois anos e meio de UK.

Ganha-se mais mas é AINDA mais tirado do corpo.

sábado, 14 de abril de 2012

Só para dar notícias

Uma moedinha de libra por cada mail do meu chefe... Era tudo o que eu precisava para pagar umas boas férias daqui a uns meses. Rai's parta o homem e mais os relatórios e os números e os orçamentos e os targets!

De facto isto não é o sossegozinho que eu pensava que ia ser. Corro menos risco mas a pressão não baixou. É diferente, vem de cima e não dos utentes mas não baixou.

Entretanto estive em Portugal no último fim de semana, para a despedida de solteiro do César. Boa "coboiada" que aquilo foi! E saí com a sensação de que se rebenta uma guerra em Portugal, tenho que me alistar na infantaria... Sou o melhor e o segundo melhor (como diria o meu amigo Zé Rui) paintballer desta molhada aqui em baixo. O casório é daqui a três semanas. Lá estaremos!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lloyds vs Tesco - III

Depois há as pequenas diferenças.

No Tesco, depois de um incidente grave em 2008, nenhum farmacêutico pode trabalhar mais de seis horas sem ter uma pausa. Ora, ter uma hora de almoço é um luxo: desligar completamente do trabalho, sentar e comer sem olhar para o relógio ou sem ser interrompido é coisa que, excluindo as férias, não fazia há dois anos e meio. Além disso, todos os Tesco têm uma sala grande para o pessoal, com televisão e cantina. Cantina de qualidade, com comidinha fresca a ser cozinhada e ao preço da "uva mijona". Almoço com entrada, prato principal, prato self-service de salada e fruta/sobremesa por £1.5 - £2.0. Água, sumo, chá e café são gratuitos. E a comidinha tem qualidade... para Inglaterra: há sempre salsicha e batata frita, mas também costumam cozinhar um pratinho para gente normal.

Quanto ao horário, ainda só fiz manhãs, mas gosto. Acordo às 5h30m e às 6h30m já estou, em Quedgeley, à procura do Duty Manager, para lhe pedir a chave da farmácia. Até às 8h00m não aparece ninguém o que dá para dar seguimento a alguma papelada. Depois até às 12h30m trabalha-se mas quatro horas e meia seguidas são brincadeira. Às 12h30m chega outro farmacêutico e eu sou obrigado a parar porque já lá estou há seis horas. Em geral, não demoro uma hora a almoçar e aproveito o tempo em que estamos dois para fazer uns serviços com os utentes, tratar de papeladas e fazer as reuniões do dia. Às 15h30m o outro farmacêutico tem de parar (porque depois vai ficar até às 22h30m), eu volto para as receitas e quando ele regressa, às 16h30m, eu "dou de frosques". Inevitavelmente, às 23h já tenho sono.

E ao fim se uma semana é o que temos.

Lloyds vs Tesco - II

No entanto, se o trabalho "de farmacêutico" é muito menor, o trabalho "de gestor" é incomparavelmente maior. Na Lloyds, todas as farmácias têm um Shop Supervisor que retira dos ombros do Manager grande parte do trabalho de gestão. No Tesco, não é assim. 
a
Diariamente tenho de verificar mails, ler relatórios de vendas, criar planos de desenvolvimento, seguir orientações centrais, organizar a rota, contratar locums, conversar com a equipa da farmácia, reunir com os gestores do supermercado (há uns 10 gestores diferentes, além do director-geral), esmifrar os gajos do orçamentos, levar nas orelhas do Regional Pharmacy Manager (RPM), orientar as férias do pessoal e, no meu caso, por estar numa farmácia onde sou novo, organizar algumas papeladas que por lá estavam por organizar. Recebo novas tarefas, através de um sistema central da companhia, todos os dias. 
a
No sábado passado, por exemplo, tive um locum que me cancelou o booking do próximo sábado. Passei a tarde a ligar para farmacêuticos a ver se desenrascava um sem ter de ligar a uma agência (por questões de orçamento). Quase todos estavam já ocupados ou tinham programado fim-de-semana prolongado. Finalmente às 16h, arranjei um, mas só estava disponível para começar, sábado, às 14h, porque trabalhava, em Bristol, até às 13h. Ora como o farmacêutico da manhã começa às 6h30m e no Tesco não pode trabalhar mais de 6 horas sem descanso, tive de andar a mendigar a uma farmacêutica amiga para me ir fazer das 6h30m às 8h00m, depois mudei o que entrava às 6h30m para entrar às 8h00m e assim o outro já podia chegar à 14h.
a
No domingo, estava a jantar e recebi um mail do RPM a dizer que uma dada tarefa tinha que ser feita até terça de manhã. Segunda estive de folga, terça de manhã ainda não tinha user pass para o sistema central. Passei a manhã a chatear gente no supermercado até ter user e pass no sistema, depois passei uma horita a fazer a tal tarefa e saí de lá com uma moral do caneco. Cheguei ao carro e tinha 5 mails do RPM com mais uma data de coisas para fazer.


É esta, portanto, a maior diferença: menos farmacêutico mais burocrata gestor. Não desgosto. É coisa que me assenta bem porque sou um gajo organizado e bom a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Sou melhor nisso que a nível clínico.

Lloyds vs Tesco - I

Ora bem, Lloyds vs Tesco. 

Para começar há uma diferença enorme que salta à vista: tenho muito menos trabalho clínico para fazer. Como o volume de prescrições é bastante menor, a quantidade de medicamentos que verifico diariamente é consideravelmente menor. Isto é bom porque não trabalho sob tanta pressão e portanto corro menos riscos.

Depois, o Tesco não tem serviço de dossette-boxes. É um serviço fantástico para os utentes mas é um trabalho muito cansativo e de elevada probabilidade de erro para o farmacêutico. Depois da verificação clínica ainda ter de verificar, com pinça, dezenas de buracos com 8-10 comprimidinhos, quase todos iguais, num ambiente de movimento e onde ainda se é responsável pelo que se está a passar a 3 metros de distância, não é tarefa agradável. Sinceramente, fico feliz por nao ter esse fardo.


Outra: o Tesco não tem o sistema automático de encomenda de prescrições. Funciona bem no papel, mas na realidade defrauda as expectativas dos utentes, cria más relações com os centros de saúde, gera reclamações e tudo isso acaba nas costas do manager. É óptimo para o negócio mas péssimo para a imagem da empresa e, principalmente, do farmacêutico responsável.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Fora da "zona de conforto"

Quem passa os olhos pelo blog, fica com a sensação que isto por aqui é um mar de rosas. Pode ser essa a ideia que passa mas nem sempre é assim. 

Neste momento, estou naquela fase em que, várias vezes, penso: "Mas para que é que eu me meti nisto?". É normal. É, aliás, perfeitamente normal porque deixei uma "zona de conforto". Mas cada mudança implica sempre deixar de uma "zona de conforto" e passar por alguma dificuldades. Foi bastante tempo com um conjunto de processos nos quais já era experiente, locais que já me eram familiares, relações que já estavam estabelecidas... e estou a ter que começar muita coisa de novo... É como se recuasse dois anos e meio no tempo. É normal mas não dá para chegar ao "depois" sem passar pelo "durante". 

Basicamente, os conceitos legais da gestão da farmácia e o papel do farmacêutico são os mesmos. Mas depois há algumas ferramentas operacionais diferentes (que ainda tenho de dominar); há um conceito novo (para mim), de farmácia como parte integrante de uma estrutura enorme (o hipermercado), há um foco muitíssimo maior nas minhas funções de gestor e uma obrigatoriedade de começar a contruir relações com todos os outros gestores que trabalham no hipermercado (e ainda são alguns). Ah... e acordar às 5h30m, para começar a trabalhar às 6h30m, também é uma realidade nova para mim.

Daqui a uns dia faço uma primeira comparação entre as minhas funções na realidade Lloyds e na realidade Tesco.

P.S. - Este post não é um "choradinho"... para isso já basta o Jesus. Não me venham com "Ah e tal, força." ou "Olha e tal, vais conseguir.". Não preciso que me digam o que eu já sei.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Primeiro dia


"Olá, eu sou o André e quero ir a Portugal daqui a dez dias."

Não foi assim, mas quase.

Um hipermercado é uma "empreitada" enorme, onde trabalham dezenas de pessoas, atarefadas num sem número de coisas, e com muitos procedimentos que desconhecia. Passei o dia inserido num grupo, com outras dez pessoas que começavam também hoje a trabalhar para o Tesco, a fazer coisas chatas de primeiro dia: normas, segurança, procedimentos de emergência, prevenção de incêncios, prevenção de pestes, "good costumer service", papeladas, etc. Até prateleiras andei a arrumar durante meia hora (o grupo era quase todo composto por pessoal que vai trabalhar no supermercado... eu limitei-me a fazer o que os outros fizeram... não me vai servir de nada para o meu trabalho mas também não me cairam as mãos).

Na farmácia, passei menos de uma hora. Basicamente foi só o tempo de conhecer parte da equipa e mexer uns cordelinhos para soltar um dia que me estava a matar o fim-de-semana da Páscoa. Troca daqui, ajeita de acolá e vou à despedida de solteiro do meu amigo César, de sexta a oito dias. Amanhã e até quinta, vou para perto de Birmingham para três dias de treino sobre a farmácia no Tesco e, então, sexta-feira (e, depois das trocas, também sábado) já trabalho em Quedgeley.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cimeira do Funchal

Correu bem a Cimeira do Funchal: as gentes de Coimbra gostaram da Madeira e deram-se bem com as gentes da ilha. À velocidade com que uns e outros começaram a falar, aquilo nem houve gelo para quebrar. E a família da Vanessa foi grande anfitriã. 

Parece, portanto, que há benção para continuarmos.

Por falar em continuar, e visto que tive um dia de folga antes da ida e dois agora no regresso (uma eternidade), esse tempo foi canalizado para investir num novo projecto. Para já não se pode adiantar nada porque estamos ainda na chamada "Fase de Estudo/Planificação" e, como se sabe, a maioria dos projectos morre nesta fase. 

P.S. - Neste, como em quase todos os projectos que temos tido, funcionamos como um carro. Eu sou o acelerador, a Vanessa o travão. Sem acelerador, nenhum carro anda. Mas sem travões, a viagem também se torna perigosa demais, para não dizer impossível. Indicarei novidades caso estas se concretizem. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Interlúdio para compromissos familiares

Entre acabar na Lloyds e começar no Tesco, a maltinha vai a casa por uns dias. Comparado com o que nos espera, começar um emprego novo é "peanuts".

Amanhã, vamo-nos meter num avião, aterrar na Madeira e apresentar os pais Lage à família Vieira. Pode soar um pouco a precipitação mas, como diria um amigo meu, depois de três Mundiais e quase três Europeus, se calhar já vai sendo hora.

domingo, 11 de março de 2012

O meu fim na Lloyds

E inicia-se amanhã a minha última semana na Lloyds.

Na última sexta, fez-se uma espécie de jantarinho de despedida com a equipa, beberam-se uns copos, contaram-se umas histórias e rimo-nos um bocadinho. Elas sempre gostaram quando eu trazia história nova  mas, na sexta, como o ambiente era de descontração, abri ainda mais o livro. Contei-lhes sobre os dias no hotel em que nem frigorífico tínhamos e deixávamos iogurtes na janela para não se estragarem, contei-lhes sobre o primeiro almoço com vista para uma rotunda, contei-lhes a história do cano cá de casa, contei-lhes a história dos pneus... enfim estivémos ali um bom bocado.

Quanto à Lloyds (empresa) é como já disse: ajudou-me muito. Deu-me grandes oportunidades, fez-me crescer como farmacêutico e como manager no UK e por isso estou-lhe agradecido. Também acho que não terá razões de queixa de mim: não faltei um dia, não tive problemas com ninguém, trabalhei (e trabalharei até 5a feira) sempre de acordo com os interesses da empresa, fiz por merecer cada subida que me foi proporcionada e na hora da despedida fui correcto e honesto. Penso que paguei o investimento que foi feito em mim.

Acabo, quinta-feira, este ciclo de dois anos e meio.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Speed Awareness Course - UK vs Portugal

No seguimento desta multa por excesso de velocidade, e seguindo o conselho que na altura me foi dado, inscrevi-me num curso de Speed Awareness e hoje passei boa parte da folga a assitir ao mesmo. Paguei bom dinheiro (£75 ou £80, já não me lembro) mas, por um lado, fico sem a multa (£35) e, por outro, evito agravamentos nos seguros do carro, nos próximos anos.

Foi uma esfrega do caneco: quatro horas (!!) a falar sobre causas e consequências do excesso de velocidade e a tentar perceber as imensas diferenças que pequenas variações de velocidades podem criar. Mas independentemente da esfrega, o que salta à vista de todo o processo é uma tremenda diferença de mentalidade entre o UK e Portugal.

Para começar, por parte do poder político, a vontade de educar para prevenir comportamentos de risco, substituindo multas por educação da população. Depois, por parte dos cidadãos, o sentimento de respeito pela autoridade e a noção de que a Lei existe para ser cumprida e não que alguém os anda a perseguir. 

Em Portugal, as pessoas queixam-se que a Polícia anda "à caça à multa". Gente: a lei está lá e é clara! Se um gajo não cumpre e é apanhado, é justo que cumpra o castigo. E eu contra mim falo, que já vou em duas multas no UK e muitas vezes entro em incumprimento em Portugal. E que interessa se o radar está à vista, ou escondido atrás de uma árvore? Se a Lei for cumprida, o radar até pode estar a fazer o pino, que o condutor não tem de se preocupar. 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Easy money

Este é um post tirado quase a papel-químico de um outro do "Migrant Script" mas como se trata de algo que me diz muito, resolvi fazer uma versão. 

Basicamente, custa-me acordar de manhã para ir trabalhar e, pensando nisso, gosto de tirar o máximo proveito do trabalho que faço. E no UK há várias formas de potenciar o dinheiro ganho a trabalhar: sejam descontos, vouchers, oportunidades ou, neste caso, potenciando ao máximo o sistema bancário. Pois bem, hoje passei o dia a ganhar dinheiro tirando o máximo proveito dos bancos.

Desde que cheguei já abri seis contas: uma corrente; outra corrente onde, se depositar £1000 por mês, me dão £5; três ISAs (depósitos até um máximo anual em que os juros não pagam impostos) e um depósito fixo a 1 a ano. Mas tudo no mesmo banco, o Halifax. Desta vez, andei a investigar quem andava a oferecer melhores condições nas contas corrente e descobri que no Santander estavam a dar £100 a quem mudasse para eles por 12 meses, mais 5% sobre os primeiros £2500 (caso se tenha um ordenado superior a £1000), tudo isto, obviamente, sem custos de manutenção.

Depois, o Santander ainda tem uma poupança até um máximo de £300 por mês em que dá mais 5%. Ou seja, assim que o ordenado cair na conta corrente, é só agarrar em £300, mexê-las e pô-las a "trabalhar" esses 5%. Depois é agarrar em £1000 do ordenado, mexê-las e ir sacar as £5 da conta corrente do Halifax.

E depois temos as poupanças. Por aqui, e provavelmente em qualquer país do mundo, não faz sentido ficar agarrado a um banco. Daqui a sensivelmente um mês, inicia-se um novo ano fiscal: há contas do ano anterior a maturar e uma nova allowance para investir em ISAs, sem pagar impostos. Aí, vê-se o mercado. Quem estiver a dar mais para receber o meu dinheiro é que o leva. Se for o Halifax, é. Se for o Santander, é. Se não for nenhum deles, não é. Os bancos fazem muito dinheiro por ter acesso ao nosso. É no mínimo justo que o entreguemos a quem nos devolver a migalha maior.

Resumindo, só para o caso de hoje e não falando em poupanças nem cartões de crédito, num ano são: £100 (por abrir a nova conta), £125 (por lá manter saldo de £2500 e depositar o ordenado), £60 (que se continuam a ir buscar ao Halifax) e mais qualquer coisa por fazer a poupança dos £300 no Santander. Será qualquer coisa como £300-£400 / ano. 

E perguntam, fico rico com este trabalho? Não. Mas além de me pagar umas idas a Portugal dá-me a sensação de que estou a potenciar um pouco mais o sacrifício por que passo todas as manhãs.

P.S. - http://migrantscript.blogspot.com/2012/02/brincar-aos-bancos.html

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O nosso futuro, quando isto apertar

Umas fotinhas da janta de hoje:



Umas trutas no forno, acompanhadas por um arrozinho de ervilhas, um salteado de legumes e "aquela" salada de espinafres com morangos. 

Não percebo um boi de carros e sou um nabo na bricolage (como atesta a lâmpada que temos fundida no quarto há mais de seis meses) mas ao nível da cozinha tenho feito uma evolução, no mínimo agradável, ao longo dos últimos anos. A cara-metade também se safa bem, por isso quando isto começar a apertar para os farmacêuticos, abrimos um restaurante de boa comida e enchemos os bolsos (que estes gajos se calham a ver boa comidinha, até se deliciam).

P.S. - Agradecimentos ao amigo N.P. por me abrir a pestana para o peixe no forno e a beringela.

CPDs

Eu já sabia que o General Pharmaceutical Council andava a pedir os registos de CPD (Continuing Professional Development) a muitos farmacêuticos do sudoeste. Pois bem, no regresso ao UK, cá tinha à minha espera a cartinha dos "meninos" a dizer que tenho até fins de Março para submeter os meus registos.

Basicamente, aqui os farmacêuticos são obrigados a fazer aprendizagens regulares como forma de renovarem os seus conhecimentos e têm de manter um registo dessas mesmas aprendizagens. Os temas sobre os quais decidem aprender e a forma como o fazem é completamente livre e ao seu critério. Só têm é de as fazer e manter um registo a explicar o que decidiram aprender, porquê, como é que isso os beneficiou, como é que isso beneficiou aqueles com quem trabalham e no final fazer uma auto-avaliação do que fizeram.

E, bem vistas as coisas, quase tudo pode ser CPD desde que devidamente justificado. Desde ler a lei quando há uma mudança relevante, até aprender sobre novos medicamentos que apareçam no mercado, ou tirar cursos para estar habilitado a fazer novos serviços na farmácia, ou ensinar algo à equipa ou criar novos mecanismos de gestão no dia-a-dia...  Tudo. Só tem é que depois se criar uma entrada de CPD e manter um registo arrumado das aprendizagens feitas.

No mínimo, têm que se ter nove entradas por ano. Como chegámos em 2009 e desde Novembro desse ano que estamos registados na autoridade reguladora, devemos ter de apresentar no mínimo umas 21 ou 22. De modo que a malta aqui de casa anda, agora, a organizar o que tem, para submeter tudo até fim de Março. Dá mais que tempo.

P.S. - Escusado será dizer que eu tenho, até ao momento, 18 entradas e que, mesmo comigo a alertá-la regularmente para fazer CPDs, a Vanessa fez a semana passada a primeira. E escusado será dizer também que ela vai ter que se "desunhar" sozinha porque eu também perdi tempo de lazer para ter o meu registo organizado. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Já do lado de cá

Ca ganda semana!

Mais uma vez, deu para meter tudo naquele dez dias. Deu para comer bom peixe no Algarve, deu para uma data de futeboladas em Coimbra, deu para ver o Benfiquinha com a malta, deu para uns cafés com uns, deu para uns jantares com outros, deu para uma 6ª feira no NB (e, Nossa Senhora!, se aquilo é bom à sexta) e para mais duas ou três peripécias. Deu para ver filmes, deu para ouvir música, deu para passear... Comum a tudo isto: o céu, todos os dias, em tons de um azul que nunca se vê por estes lados. 

Agora: mais um mês de Lloyds. Depois: nova semana de férias e o início da aventura Tesco.

P.S. - Raramente posto vídeos de músicas, mas apaixonei-me por "isto", hoje, às 08h15m:

Jason Mraz - I won't give up

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ainda há bons empregos

Estou de férias e, se a neve não bloquear nenhum aeroporto, voo amanhã para a Portugal. A Coimbra só chegarei na próxima semana porque o avião vai dar uma "ganda" volta.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quem diria?

O Ka está vendido. Tivémos que lhe fazer uns arranjos e a inspecção (£150£) mas está vendido. Três dias de anúncio no e-bay e, especialmente, no auto-trader e o telefone não parou de tocar.

Quem diria que a procura por Ford Ka's era tão grande? Se calhar até podíamos ter feito mais dinheiro mas £800 libras para quem estava com pressa de vender, quase não tinha tempo para andar a mostrar o carro e o tinha comprado há dois anos por £1100, não foi mau.

O pior, mesmo, é ter que que aturar a "outra" todos os dias a dizer: "Estás a ver? Quem é que sempre disse que o carro se vendia?". Só mesmo quem nunca ficou sem razão perante uma mulher pode achar que £800 pagam isto. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Alvíssaras: a Vanessa investiu.

Andávamos há uma semana à procura de carro novo para a Vanessa. Era uma "atrasadice mental" ela andar, por vezes, a fazer 30 ou 40 quilómetros, em estradas molhadas, numa lata de conservas a motor. 

Ontem fomos a Cardiff ver um Opel/Vauxhall Astra, igual ao meu. O código postal levou-nos para uma área um bocado brega e o vendedor saiu-nos um arábe (nada contra) com um aspecto de mafioso. Mostrou-nos um carro carregadinho de risco e amoladelas e com umas peças a menos num dos retrovisores. E dizia ele: "Epá tem aí uns risquitos mas é um carro de confiança". E eu só pensava: "Risquitos?? Porra, já vi cadernos de linhas com menos riscos". Conclusão: nada feito. 

Regressámos ao carro e voltámos a procurar (autotrader.co.uk). Encontrámos o que queríamos, em Bristol, e fizémos questão de o ver nessa mesma noite. O vendedor pensou que era brincadeira, não só pela insistência mas, principalmente, porque tinha acabado de pôr o anúncio há uma hora atrás. Negófio feito e boa compra. Um Opel/Vauxhall Astra igual ao meu, do mesmo ano (2004), mais ou menos com as mesmas milhas (55000), em bom estado e muito bem estimado, por dentro. Três mil balas e o vendedor a dizer que nunca tinha vendido nada tão rápido na vida.

Agora queremos tentar vender o Ford Ka - eu já disse que é um "ganda" carro? - por isso se alguém quiser um carro de cidade que gasta pouco, dê uma apitadela.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Desesperadamente à procura de Vanessa

Ponto prévio: está tudo bem. Fica mais uma história...

Ontem regressei a Gloucester. A meio da tarde, a Vanessa perguntou-me a que horas chegava e eu disse-lhe o que o meu bilhete de autocarro dizia: 20h45m. Só que eram 20h00m, acordei com o motorista a dizer que chegávamos a Gloucester em breve e... eu com a bateria do telemóvel nas lonas porque tinha ido a viagem toda a ver filmes e a ouvir música.

Ora eu - que sou um gajo esquisito - tenho por hábito imaginar situações e comecei a pensar: vou chegar cedo, ela vai-me querer ir buscar sem dizer nada (e eu que odeio surpresas) e vamo-nos desencontrar porque acabo de ficar sem bateria para lhe dizer que estou adiantado. Cheguei, então, a Gloucester, às 20h15m, não vi ninguém à minha espera (perfeitamente normal) e fiz-me ao caminho, até casa. Quinze minutos depois estava, sem chave, à porta de casa (como ia chegar de noite, não levei chave para Portugal). Como previra: luzes apagadas e ninguém em casa. " 'Tá bonito! Agora está ela na estação à minha espera e eu aqui. Odeio surpresas!". 

Sentei-me à espera... 21h00m... 21h30m... 22h00m... Eram quase 22h30m quando, depois de ler meio livro do Mourinho, ter estudado o "Record" de ontem como se fosse ter teste e lhe ter chamado alguns nomes por ainda não ter percebido que eu estava adiantado e não atrasado, resolvi voltar à estação de autocarros. Sai mais uma caminhada! Chego lá e Vanessa: zero. "Pronto... agora que finalmente eu aqui vim, ela percebeu que eu não estava atrasado e voltou para casa. Odeio surpresas!". E siga de volta para casa... Chego: nem luz em casa, nem carro na garagem... Aí fiquei assustado! Liguei do telemóvel português, para  os meus pais, para pedir o número inglês da Vanesssa (que não tinha no telemóvel tuga) e comecei-lhe a ligar. Chamava, chamava, chamava e ela não atendia. Pronto... aí fiquei um bocado à rasca... 

Voltei, a correr, até à estação... Nada. Pelo caminho bati na única casa com luz que encontrei e pedi a uns miúdos se tinham um carregador de iPhone para ver se tinha alguma mensagem. Mas os gajos ou porque não tinham carregador ou porque ficaram com medo do maluco que lhes bateu à porta, quase às 23h, a esbracejar, disseram que não tinham carregador. Voltei para casa, ainda não havia luz. Voltei à garagem e carro: nada. 

Até que encontrei um pub perto de casa, com luz. Bati à janela, o gajo do pub disse-me que estavam fechados. Eu disse que não queria beber, que precisava de ajuda e o gajo lá me abriu a porta. Lá dentro, encontrei um conhecido do poker e expliquei-lhe a situação. Ele estava meio bebido e só dizia: "Mas bebe um copo, André". "Não, Steve... Eu preciso mesmo de ajuda. Arranja-me um carregador". E depois começou a tentar ajudar, à maneira dele: "Mas tu bebeste?" "Oh Steve, não!" "Mas vocês estão chateados?" "Não, Steve!". "Olha, mas ela tem algum problema" "Não, Steve... Ela não tem problema nenhum. Ela é uma miúda normal, feliz, ajuizada, inteligente e o problema é que ela desapareceu e não atende o telemóvel". Até que venho cá fora, já com o telemóvel com bateria, para ligar à polícia e vejo, finalmente, a 200 metros, luz, na sala de nossa casa. Despedi-me do Steve, agradeci às pessoas no pub, liguei para os meus pais a dizer que já havia luz em casa e igualei o record nacional dos 200metros. 

Cheguei a casa e ela explicou-me tudo: tinha trabalhado até às 22h30m, numa Lloyds, em Courtside (40 minutos de Gloucester) e o telemóvel novo que comprou há duas semanas e que logo três dias depois da compra tinha dado problemas, voltou a morrer quando ainda dizia ter 60% de bateria. E que quando chegou a casa, viu a mala à porta e a minha chave dentro de casa, percebeu logo que eu andava à procura dela mas não tinha vida no telemóvel novo inglês, nem saldo no português. Não sei como é que não me ocorreu pensar que ela estava a trabalhar. No fundo foi apenas uma série de coincidências e, pelo menos, penso que finalmente consegui convencê-la a comprar um carro novo para substituir o, inadmissível, Ford KA, de 1847, que ela conduz pelas, sempre molhadas, estradas inglesas. 

Já passado um bom bocado ela lá disse: "Olha... Afinal gostas mesmo de mim?" "Não. Mas dá-me jeito ter alguém que ajude a pagar a renda!"

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Por Coimbra, este fim de semana

Acordo sexta, às três da manhã, e faço me ao caminho. Antes da uma da tarde já devo estar em solo português.

Venham as jantaradas, o regabofe, a pândega e um bocadinho de Sol...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fim de ciclo - IV - Passado, presente e futuro


Tenho pena de deixar aqueles com quem tenho trabalhado no último ano e meio, principalmente porque sei que se a Lloyds não se mexer para arranjar alguém que dê sequência ao trabalho, eles vão passar um mau bocado. Mas na hora de decidir, e tendo todas aquelas razões de um lado e a equipa com quem trabalho do outro, juntei um pouco de egoísmo e acabei por decidir pelo que era melhor para mim.

De resto, gostei da forma como eles reagiram à notícia. Confesso que estava mais apreensivo para lhes comunicar a decisão do quando a comuniquei à minha chefe mas perceberam bem as minhas razões. Desde quinta-feira nada mudou nos seus comportamentos ou na relacção que temos. Entretanto, nos próximos dois meses, farei o possível para passar a quem vier toda a informação que tenho, tudo o que faço na farmácia e, muito em especial, tudo o que criei relativamente à prisão de Gloucester.

Quanto à Lloyds, agradeço muito o que fizeram por mim, as oportunidades que me deram e o quanto me permitiram crescer. Sou hoje muito melhor farmacêutico e melhor gestor de pessoas do que era há dois anos e meio. Mas acho que também fui um bom investimento: paguei tudo quanto investiram em mim e, mesmo saindo, creio que também para eles valeu a pena.

Quanto ao futuro, vou já preparando a transição para o novo emprego... Tenho um ficheiro no ambiente de trabalho onde, quase diariamente, vou apontando questões de que me vou lembrando e que tenho que ter respondidas nas primeiras semanas. Tenho dois meses para encher aquilo...

E no fundo é isto... Não há que ter medo da mudança... Há é que trabalhar...