quarta-feira, 18 de abril de 2012

Vai para aqui uma luta...

Isto de estar sempre disponivel para a mudança e de querer sempre ir em busca de melhor, nem sempre sai bem. Faço o mea culpa: foi um erro deixar a Lloyds. Ou melhor, o erro não foi deixar a Lloyds. O erro foi ir para o Tesco. Vidinha dura, pá! Se a tiver de resumir em duas frases sãos as seguintes: 

- Trouxe mais trabalho para casa (relacionado com farmácia), na última semana, do que em 6 anos de trabalho.

- Fiz mais horas-extra por minha própria vontade (leia-se: para o tecto), na última semana, do que em dois anos e meio de UK.

Ganha-se mais mas é AINDA mais tirado do corpo.

sábado, 14 de abril de 2012

Só para dar notícias

Uma moedinha de libra por cada mail do meu chefe... Era tudo o que eu precisava para pagar umas boas férias daqui a uns meses. Rai's parta o homem e mais os relatórios e os números e os orçamentos e os targets!

De facto isto não é o sossegozinho que eu pensava que ia ser. Corro menos risco mas a pressão não baixou. É diferente, vem de cima e não dos utentes mas não baixou.

Entretanto estive em Portugal no último fim de semana, para a despedida de solteiro do César. Boa "coboiada" que aquilo foi! E saí com a sensação de que se rebenta uma guerra em Portugal, tenho que me alistar na infantaria... Sou o melhor e o segundo melhor (como diria o meu amigo Zé Rui) paintballer desta molhada aqui em baixo. O casório é daqui a três semanas. Lá estaremos!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lloyds vs Tesco - III

Depois há as pequenas diferenças.

No Tesco, depois de um incidente grave em 2008, nenhum farmacêutico pode trabalhar mais de seis horas sem ter uma pausa. Ora, ter uma hora de almoço é um luxo: desligar completamente do trabalho, sentar e comer sem olhar para o relógio ou sem ser interrompido é coisa que, excluindo as férias, não fazia há dois anos e meio. Além disso, todos os Tesco têm uma sala grande para o pessoal, com televisão e cantina. Cantina de qualidade, com comidinha fresca a ser cozinhada e ao preço da "uva mijona". Almoço com entrada, prato principal, prato self-service de salada e fruta/sobremesa por £1.5 - £2.0. Água, sumo, chá e café são gratuitos. E a comidinha tem qualidade... para Inglaterra: há sempre salsicha e batata frita, mas também costumam cozinhar um pratinho para gente normal.

Quanto ao horário, ainda só fiz manhãs, mas gosto. Acordo às 5h30m e às 6h30m já estou, em Quedgeley, à procura do Duty Manager, para lhe pedir a chave da farmácia. Até às 8h00m não aparece ninguém o que dá para dar seguimento a alguma papelada. Depois até às 12h30m trabalha-se mas quatro horas e meia seguidas são brincadeira. Às 12h30m chega outro farmacêutico e eu sou obrigado a parar porque já lá estou há seis horas. Em geral, não demoro uma hora a almoçar e aproveito o tempo em que estamos dois para fazer uns serviços com os utentes, tratar de papeladas e fazer as reuniões do dia. Às 15h30m o outro farmacêutico tem de parar (porque depois vai ficar até às 22h30m), eu volto para as receitas e quando ele regressa, às 16h30m, eu "dou de frosques". Inevitavelmente, às 23h já tenho sono.

E ao fim se uma semana é o que temos.

Lloyds vs Tesco - II

No entanto, se o trabalho "de farmacêutico" é muito menor, o trabalho "de gestor" é incomparavelmente maior. Na Lloyds, todas as farmácias têm um Shop Supervisor que retira dos ombros do Manager grande parte do trabalho de gestão. No Tesco, não é assim. 
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Diariamente tenho de verificar mails, ler relatórios de vendas, criar planos de desenvolvimento, seguir orientações centrais, organizar a rota, contratar locums, conversar com a equipa da farmácia, reunir com os gestores do supermercado (há uns 10 gestores diferentes, além do director-geral), esmifrar os gajos do orçamentos, levar nas orelhas do Regional Pharmacy Manager (RPM), orientar as férias do pessoal e, no meu caso, por estar numa farmácia onde sou novo, organizar algumas papeladas que por lá estavam por organizar. Recebo novas tarefas, através de um sistema central da companhia, todos os dias. 
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No sábado passado, por exemplo, tive um locum que me cancelou o booking do próximo sábado. Passei a tarde a ligar para farmacêuticos a ver se desenrascava um sem ter de ligar a uma agência (por questões de orçamento). Quase todos estavam já ocupados ou tinham programado fim-de-semana prolongado. Finalmente às 16h, arranjei um, mas só estava disponível para começar, sábado, às 14h, porque trabalhava, em Bristol, até às 13h. Ora como o farmacêutico da manhã começa às 6h30m e no Tesco não pode trabalhar mais de 6 horas sem descanso, tive de andar a mendigar a uma farmacêutica amiga para me ir fazer das 6h30m às 8h00m, depois mudei o que entrava às 6h30m para entrar às 8h00m e assim o outro já podia chegar à 14h.
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No domingo, estava a jantar e recebi um mail do RPM a dizer que uma dada tarefa tinha que ser feita até terça de manhã. Segunda estive de folga, terça de manhã ainda não tinha user pass para o sistema central. Passei a manhã a chatear gente no supermercado até ter user e pass no sistema, depois passei uma horita a fazer a tal tarefa e saí de lá com uma moral do caneco. Cheguei ao carro e tinha 5 mails do RPM com mais uma data de coisas para fazer.


É esta, portanto, a maior diferença: menos farmacêutico mais burocrata gestor. Não desgosto. É coisa que me assenta bem porque sou um gajo organizado e bom a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Sou melhor nisso que a nível clínico.

Lloyds vs Tesco - I

Ora bem, Lloyds vs Tesco. 

Para começar há uma diferença enorme que salta à vista: tenho muito menos trabalho clínico para fazer. Como o volume de prescrições é bastante menor, a quantidade de medicamentos que verifico diariamente é consideravelmente menor. Isto é bom porque não trabalho sob tanta pressão e portanto corro menos riscos.

Depois, o Tesco não tem serviço de dossette-boxes. É um serviço fantástico para os utentes mas é um trabalho muito cansativo e de elevada probabilidade de erro para o farmacêutico. Depois da verificação clínica ainda ter de verificar, com pinça, dezenas de buracos com 8-10 comprimidinhos, quase todos iguais, num ambiente de movimento e onde ainda se é responsável pelo que se está a passar a 3 metros de distância, não é tarefa agradável. Sinceramente, fico feliz por nao ter esse fardo.


Outra: o Tesco não tem o sistema automático de encomenda de prescrições. Funciona bem no papel, mas na realidade defrauda as expectativas dos utentes, cria más relações com os centros de saúde, gera reclamações e tudo isso acaba nas costas do manager. É óptimo para o negócio mas péssimo para a imagem da empresa e, principalmente, do farmacêutico responsável.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Fora da "zona de conforto"

Quem passa os olhos pelo blog, fica com a sensação que isto por aqui é um mar de rosas. Pode ser essa a ideia que passa mas nem sempre é assim. 

Neste momento, estou naquela fase em que, várias vezes, penso: "Mas para que é que eu me meti nisto?". É normal. É, aliás, perfeitamente normal porque deixei uma "zona de conforto". Mas cada mudança implica sempre deixar de uma "zona de conforto" e passar por alguma dificuldades. Foi bastante tempo com um conjunto de processos nos quais já era experiente, locais que já me eram familiares, relações que já estavam estabelecidas... e estou a ter que começar muita coisa de novo... É como se recuasse dois anos e meio no tempo. É normal mas não dá para chegar ao "depois" sem passar pelo "durante". 

Basicamente, os conceitos legais da gestão da farmácia e o papel do farmacêutico são os mesmos. Mas depois há algumas ferramentas operacionais diferentes (que ainda tenho de dominar); há um conceito novo (para mim), de farmácia como parte integrante de uma estrutura enorme (o hipermercado), há um foco muitíssimo maior nas minhas funções de gestor e uma obrigatoriedade de começar a contruir relações com todos os outros gestores que trabalham no hipermercado (e ainda são alguns). Ah... e acordar às 5h30m, para começar a trabalhar às 6h30m, também é uma realidade nova para mim.

Daqui a uns dia faço uma primeira comparação entre as minhas funções na realidade Lloyds e na realidade Tesco.

P.S. - Este post não é um "choradinho"... para isso já basta o Jesus. Não me venham com "Ah e tal, força." ou "Olha e tal, vais conseguir.". Não preciso que me digam o que eu já sei.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Primeiro dia


"Olá, eu sou o André e quero ir a Portugal daqui a dez dias."

Não foi assim, mas quase.

Um hipermercado é uma "empreitada" enorme, onde trabalham dezenas de pessoas, atarefadas num sem número de coisas, e com muitos procedimentos que desconhecia. Passei o dia inserido num grupo, com outras dez pessoas que começavam também hoje a trabalhar para o Tesco, a fazer coisas chatas de primeiro dia: normas, segurança, procedimentos de emergência, prevenção de incêncios, prevenção de pestes, "good costumer service", papeladas, etc. Até prateleiras andei a arrumar durante meia hora (o grupo era quase todo composto por pessoal que vai trabalhar no supermercado... eu limitei-me a fazer o que os outros fizeram... não me vai servir de nada para o meu trabalho mas também não me cairam as mãos).

Na farmácia, passei menos de uma hora. Basicamente foi só o tempo de conhecer parte da equipa e mexer uns cordelinhos para soltar um dia que me estava a matar o fim-de-semana da Páscoa. Troca daqui, ajeita de acolá e vou à despedida de solteiro do meu amigo César, de sexta a oito dias. Amanhã e até quinta, vou para perto de Birmingham para três dias de treino sobre a farmácia no Tesco e, então, sexta-feira (e, depois das trocas, também sábado) já trabalho em Quedgeley.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cimeira do Funchal

Correu bem a Cimeira do Funchal: as gentes de Coimbra gostaram da Madeira e deram-se bem com as gentes da ilha. À velocidade com que uns e outros começaram a falar, aquilo nem houve gelo para quebrar. E a família da Vanessa foi grande anfitriã. 

Parece, portanto, que há benção para continuarmos.

Por falar em continuar, e visto que tive um dia de folga antes da ida e dois agora no regresso (uma eternidade), esse tempo foi canalizado para investir num novo projecto. Para já não se pode adiantar nada porque estamos ainda na chamada "Fase de Estudo/Planificação" e, como se sabe, a maioria dos projectos morre nesta fase. 

P.S. - Neste, como em quase todos os projectos que temos tido, funcionamos como um carro. Eu sou o acelerador, a Vanessa o travão. Sem acelerador, nenhum carro anda. Mas sem travões, a viagem também se torna perigosa demais, para não dizer impossível. Indicarei novidades caso estas se concretizem. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Interlúdio para compromissos familiares

Entre acabar na Lloyds e começar no Tesco, a maltinha vai a casa por uns dias. Comparado com o que nos espera, começar um emprego novo é "peanuts".

Amanhã, vamo-nos meter num avião, aterrar na Madeira e apresentar os pais Lage à família Vieira. Pode soar um pouco a precipitação mas, como diria um amigo meu, depois de três Mundiais e quase três Europeus, se calhar já vai sendo hora.

domingo, 11 de março de 2012

O meu fim na Lloyds

E inicia-se amanhã a minha última semana na Lloyds.

Na última sexta, fez-se uma espécie de jantarinho de despedida com a equipa, beberam-se uns copos, contaram-se umas histórias e rimo-nos um bocadinho. Elas sempre gostaram quando eu trazia história nova  mas, na sexta, como o ambiente era de descontração, abri ainda mais o livro. Contei-lhes sobre os dias no hotel em que nem frigorífico tínhamos e deixávamos iogurtes na janela para não se estragarem, contei-lhes sobre o primeiro almoço com vista para uma rotunda, contei-lhes a história do cano cá de casa, contei-lhes a história dos pneus... enfim estivémos ali um bom bocado.

Quanto à Lloyds (empresa) é como já disse: ajudou-me muito. Deu-me grandes oportunidades, fez-me crescer como farmacêutico e como manager no UK e por isso estou-lhe agradecido. Também acho que não terá razões de queixa de mim: não faltei um dia, não tive problemas com ninguém, trabalhei (e trabalharei até 5a feira) sempre de acordo com os interesses da empresa, fiz por merecer cada subida que me foi proporcionada e na hora da despedida fui correcto e honesto. Penso que paguei o investimento que foi feito em mim.

Acabo, quinta-feira, este ciclo de dois anos e meio.