quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Easy money

Este é um post tirado quase a papel-químico de um outro do "Migrant Script" mas como se trata de algo que me diz muito, resolvi fazer uma versão. 

Basicamente, custa-me acordar de manhã para ir trabalhar e, pensando nisso, gosto de tirar o máximo proveito do trabalho que faço. E no UK há várias formas de potenciar o dinheiro ganho a trabalhar: sejam descontos, vouchers, oportunidades ou, neste caso, potenciando ao máximo o sistema bancário. Pois bem, hoje passei o dia a ganhar dinheiro tirando o máximo proveito dos bancos.

Desde que cheguei já abri seis contas: uma corrente; outra corrente onde, se depositar £1000 por mês, me dão £5; três ISAs (depósitos até um máximo anual em que os juros não pagam impostos) e um depósito fixo a 1 a ano. Mas tudo no mesmo banco, o Halifax. Desta vez, andei a investigar quem andava a oferecer melhores condições nas contas corrente e descobri que no Santander estavam a dar £100 a quem mudasse para eles por 12 meses, mais 5% sobre os primeiros £2500 (caso se tenha um ordenado superior a £1000), tudo isto, obviamente, sem custos de manutenção.

Depois, o Santander ainda tem uma poupança até um máximo de £300 por mês em que dá mais 5%. Ou seja, assim que o ordenado cair na conta corrente, é só agarrar em £300, mexê-las e pô-las a "trabalhar" esses 5%. Depois é agarrar em £1000 do ordenado, mexê-las e ir sacar as £5 da conta corrente do Halifax.

E depois temos as poupanças. Por aqui, e provavelmente em qualquer país do mundo, não faz sentido ficar agarrado a um banco. Daqui a sensivelmente um mês, inicia-se um novo ano fiscal: há contas do ano anterior a maturar e uma nova allowance para investir em ISAs, sem pagar impostos. Aí, vê-se o mercado. Quem estiver a dar mais para receber o meu dinheiro é que o leva. Se for o Halifax, é. Se for o Santander, é. Se não for nenhum deles, não é. Os bancos fazem muito dinheiro por ter acesso ao nosso. É no mínimo justo que o entreguemos a quem nos devolver a migalha maior.

Resumindo, só para o caso de hoje e não falando em poupanças nem cartões de crédito, num ano são: £100 (por abrir a nova conta), £125 (por lá manter saldo de £2500 e depositar o ordenado), £60 (que se continuam a ir buscar ao Halifax) e mais qualquer coisa por fazer a poupança dos £300 no Santander. Será qualquer coisa como £300-£400 / ano. 

E perguntam, fico rico com este trabalho? Não. Mas além de me pagar umas idas a Portugal dá-me a sensação de que estou a potenciar um pouco mais o sacrifício por que passo todas as manhãs.

P.S. - http://migrantscript.blogspot.com/2012/02/brincar-aos-bancos.html

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O nosso futuro, quando isto apertar

Umas fotinhas da janta de hoje:



Umas trutas no forno, acompanhadas por um arrozinho de ervilhas, um salteado de legumes e "aquela" salada de espinafres com morangos. 

Não percebo um boi de carros e sou um nabo na bricolage (como atesta a lâmpada que temos fundida no quarto há mais de seis meses) mas ao nível da cozinha tenho feito uma evolução, no mínimo agradável, ao longo dos últimos anos. A cara-metade também se safa bem, por isso quando isto começar a apertar para os farmacêuticos, abrimos um restaurante de boa comida e enchemos os bolsos (que estes gajos se calham a ver boa comidinha, até se deliciam).

P.S. - Agradecimentos ao amigo N.P. por me abrir a pestana para o peixe no forno e a beringela.

CPDs

Eu já sabia que o General Pharmaceutical Council andava a pedir os registos de CPD (Continuing Professional Development) a muitos farmacêuticos do sudoeste. Pois bem, no regresso ao UK, cá tinha à minha espera a cartinha dos "meninos" a dizer que tenho até fins de Março para submeter os meus registos.

Basicamente, aqui os farmacêuticos são obrigados a fazer aprendizagens regulares como forma de renovarem os seus conhecimentos e têm de manter um registo dessas mesmas aprendizagens. Os temas sobre os quais decidem aprender e a forma como o fazem é completamente livre e ao seu critério. Só têm é de as fazer e manter um registo a explicar o que decidiram aprender, porquê, como é que isso os beneficiou, como é que isso beneficiou aqueles com quem trabalham e no final fazer uma auto-avaliação do que fizeram.

E, bem vistas as coisas, quase tudo pode ser CPD desde que devidamente justificado. Desde ler a lei quando há uma mudança relevante, até aprender sobre novos medicamentos que apareçam no mercado, ou tirar cursos para estar habilitado a fazer novos serviços na farmácia, ou ensinar algo à equipa ou criar novos mecanismos de gestão no dia-a-dia...  Tudo. Só tem é que depois se criar uma entrada de CPD e manter um registo arrumado das aprendizagens feitas.

No mínimo, têm que se ter nove entradas por ano. Como chegámos em 2009 e desde Novembro desse ano que estamos registados na autoridade reguladora, devemos ter de apresentar no mínimo umas 21 ou 22. De modo que a malta aqui de casa anda, agora, a organizar o que tem, para submeter tudo até fim de Março. Dá mais que tempo.

P.S. - Escusado será dizer que eu tenho, até ao momento, 18 entradas e que, mesmo comigo a alertá-la regularmente para fazer CPDs, a Vanessa fez a semana passada a primeira. E escusado será dizer também que ela vai ter que se "desunhar" sozinha porque eu também perdi tempo de lazer para ter o meu registo organizado. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Já do lado de cá

Ca ganda semana!

Mais uma vez, deu para meter tudo naquele dez dias. Deu para comer bom peixe no Algarve, deu para uma data de futeboladas em Coimbra, deu para ver o Benfiquinha com a malta, deu para uns cafés com uns, deu para uns jantares com outros, deu para uma 6ª feira no NB (e, Nossa Senhora!, se aquilo é bom à sexta) e para mais duas ou três peripécias. Deu para ver filmes, deu para ouvir música, deu para passear... Comum a tudo isto: o céu, todos os dias, em tons de um azul que nunca se vê por estes lados. 

Agora: mais um mês de Lloyds. Depois: nova semana de férias e o início da aventura Tesco.

P.S. - Raramente posto vídeos de músicas, mas apaixonei-me por "isto", hoje, às 08h15m:

Jason Mraz - I won't give up

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ainda há bons empregos

Estou de férias e, se a neve não bloquear nenhum aeroporto, voo amanhã para a Portugal. A Coimbra só chegarei na próxima semana porque o avião vai dar uma "ganda" volta.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quem diria?

O Ka está vendido. Tivémos que lhe fazer uns arranjos e a inspecção (£150£) mas está vendido. Três dias de anúncio no e-bay e, especialmente, no auto-trader e o telefone não parou de tocar.

Quem diria que a procura por Ford Ka's era tão grande? Se calhar até podíamos ter feito mais dinheiro mas £800 libras para quem estava com pressa de vender, quase não tinha tempo para andar a mostrar o carro e o tinha comprado há dois anos por £1100, não foi mau.

O pior, mesmo, é ter que que aturar a "outra" todos os dias a dizer: "Estás a ver? Quem é que sempre disse que o carro se vendia?". Só mesmo quem nunca ficou sem razão perante uma mulher pode achar que £800 pagam isto. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Alvíssaras: a Vanessa investiu.

Andávamos há uma semana à procura de carro novo para a Vanessa. Era uma "atrasadice mental" ela andar, por vezes, a fazer 30 ou 40 quilómetros, em estradas molhadas, numa lata de conservas a motor. 

Ontem fomos a Cardiff ver um Opel/Vauxhall Astra, igual ao meu. O código postal levou-nos para uma área um bocado brega e o vendedor saiu-nos um arábe (nada contra) com um aspecto de mafioso. Mostrou-nos um carro carregadinho de risco e amoladelas e com umas peças a menos num dos retrovisores. E dizia ele: "Epá tem aí uns risquitos mas é um carro de confiança". E eu só pensava: "Risquitos?? Porra, já vi cadernos de linhas com menos riscos". Conclusão: nada feito. 

Regressámos ao carro e voltámos a procurar (autotrader.co.uk). Encontrámos o que queríamos, em Bristol, e fizémos questão de o ver nessa mesma noite. O vendedor pensou que era brincadeira, não só pela insistência mas, principalmente, porque tinha acabado de pôr o anúncio há uma hora atrás. Negófio feito e boa compra. Um Opel/Vauxhall Astra igual ao meu, do mesmo ano (2004), mais ou menos com as mesmas milhas (55000), em bom estado e muito bem estimado, por dentro. Três mil balas e o vendedor a dizer que nunca tinha vendido nada tão rápido na vida.

Agora queremos tentar vender o Ford Ka - eu já disse que é um "ganda" carro? - por isso se alguém quiser um carro de cidade que gasta pouco, dê uma apitadela.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Desesperadamente à procura de Vanessa

Ponto prévio: está tudo bem. Fica mais uma história...

Ontem regressei a Gloucester. A meio da tarde, a Vanessa perguntou-me a que horas chegava e eu disse-lhe o que o meu bilhete de autocarro dizia: 20h45m. Só que eram 20h00m, acordei com o motorista a dizer que chegávamos a Gloucester em breve e... eu com a bateria do telemóvel nas lonas porque tinha ido a viagem toda a ver filmes e a ouvir música.

Ora eu - que sou um gajo esquisito - tenho por hábito imaginar situações e comecei a pensar: vou chegar cedo, ela vai-me querer ir buscar sem dizer nada (e eu que odeio surpresas) e vamo-nos desencontrar porque acabo de ficar sem bateria para lhe dizer que estou adiantado. Cheguei, então, a Gloucester, às 20h15m, não vi ninguém à minha espera (perfeitamente normal) e fiz-me ao caminho, até casa. Quinze minutos depois estava, sem chave, à porta de casa (como ia chegar de noite, não levei chave para Portugal). Como previra: luzes apagadas e ninguém em casa. " 'Tá bonito! Agora está ela na estação à minha espera e eu aqui. Odeio surpresas!". 

Sentei-me à espera... 21h00m... 21h30m... 22h00m... Eram quase 22h30m quando, depois de ler meio livro do Mourinho, ter estudado o "Record" de ontem como se fosse ter teste e lhe ter chamado alguns nomes por ainda não ter percebido que eu estava adiantado e não atrasado, resolvi voltar à estação de autocarros. Sai mais uma caminhada! Chego lá e Vanessa: zero. "Pronto... agora que finalmente eu aqui vim, ela percebeu que eu não estava atrasado e voltou para casa. Odeio surpresas!". E siga de volta para casa... Chego: nem luz em casa, nem carro na garagem... Aí fiquei assustado! Liguei do telemóvel português, para  os meus pais, para pedir o número inglês da Vanesssa (que não tinha no telemóvel tuga) e comecei-lhe a ligar. Chamava, chamava, chamava e ela não atendia. Pronto... aí fiquei um bocado à rasca... 

Voltei, a correr, até à estação... Nada. Pelo caminho bati na única casa com luz que encontrei e pedi a uns miúdos se tinham um carregador de iPhone para ver se tinha alguma mensagem. Mas os gajos ou porque não tinham carregador ou porque ficaram com medo do maluco que lhes bateu à porta, quase às 23h, a esbracejar, disseram que não tinham carregador. Voltei para casa, ainda não havia luz. Voltei à garagem e carro: nada. 

Até que encontrei um pub perto de casa, com luz. Bati à janela, o gajo do pub disse-me que estavam fechados. Eu disse que não queria beber, que precisava de ajuda e o gajo lá me abriu a porta. Lá dentro, encontrei um conhecido do poker e expliquei-lhe a situação. Ele estava meio bebido e só dizia: "Mas bebe um copo, André". "Não, Steve... Eu preciso mesmo de ajuda. Arranja-me um carregador". E depois começou a tentar ajudar, à maneira dele: "Mas tu bebeste?" "Oh Steve, não!" "Mas vocês estão chateados?" "Não, Steve!". "Olha, mas ela tem algum problema" "Não, Steve... Ela não tem problema nenhum. Ela é uma miúda normal, feliz, ajuizada, inteligente e o problema é que ela desapareceu e não atende o telemóvel". Até que venho cá fora, já com o telemóvel com bateria, para ligar à polícia e vejo, finalmente, a 200 metros, luz, na sala de nossa casa. Despedi-me do Steve, agradeci às pessoas no pub, liguei para os meus pais a dizer que já havia luz em casa e igualei o record nacional dos 200metros. 

Cheguei a casa e ela explicou-me tudo: tinha trabalhado até às 22h30m, numa Lloyds, em Courtside (40 minutos de Gloucester) e o telemóvel novo que comprou há duas semanas e que logo três dias depois da compra tinha dado problemas, voltou a morrer quando ainda dizia ter 60% de bateria. E que quando chegou a casa, viu a mala à porta e a minha chave dentro de casa, percebeu logo que eu andava à procura dela mas não tinha vida no telemóvel novo inglês, nem saldo no português. Não sei como é que não me ocorreu pensar que ela estava a trabalhar. No fundo foi apenas uma série de coincidências e, pelo menos, penso que finalmente consegui convencê-la a comprar um carro novo para substituir o, inadmissível, Ford KA, de 1847, que ela conduz pelas, sempre molhadas, estradas inglesas. 

Já passado um bom bocado ela lá disse: "Olha... Afinal gostas mesmo de mim?" "Não. Mas dá-me jeito ter alguém que ajude a pagar a renda!"

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Por Coimbra, este fim de semana

Acordo sexta, às três da manhã, e faço me ao caminho. Antes da uma da tarde já devo estar em solo português.

Venham as jantaradas, o regabofe, a pândega e um bocadinho de Sol...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fim de ciclo - IV - Passado, presente e futuro


Tenho pena de deixar aqueles com quem tenho trabalhado no último ano e meio, principalmente porque sei que se a Lloyds não se mexer para arranjar alguém que dê sequência ao trabalho, eles vão passar um mau bocado. Mas na hora de decidir, e tendo todas aquelas razões de um lado e a equipa com quem trabalho do outro, juntei um pouco de egoísmo e acabei por decidir pelo que era melhor para mim.

De resto, gostei da forma como eles reagiram à notícia. Confesso que estava mais apreensivo para lhes comunicar a decisão do quando a comuniquei à minha chefe mas perceberam bem as minhas razões. Desde quinta-feira nada mudou nos seus comportamentos ou na relacção que temos. Entretanto, nos próximos dois meses, farei o possível para passar a quem vier toda a informação que tenho, tudo o que faço na farmácia e, muito em especial, tudo o que criei relativamente à prisão de Gloucester.

Quanto à Lloyds, agradeço muito o que fizeram por mim, as oportunidades que me deram e o quanto me permitiram crescer. Sou hoje muito melhor farmacêutico e melhor gestor de pessoas do que era há dois anos e meio. Mas acho que também fui um bom investimento: paguei tudo quanto investiram em mim e, mesmo saindo, creio que também para eles valeu a pena.

Quanto ao futuro, vou já preparando a transição para o novo emprego... Tenho um ficheiro no ambiente de trabalho onde, quase diariamente, vou apontando questões de que me vou lembrando e que tenho que ter respondidas nas primeiras semanas. Tenho dois meses para encher aquilo...

E no fundo é isto... Não há que ter medo da mudança... Há é que trabalhar...