Corriam os últimos meses do ano de 2007. Era altura de levar o meu carro à inspecção e o meu pai ficou de o levar a um mecânico amigo para ver se tinha algum problema. Entreguei-lhe o carro e fiquei com o dele. No dia seguinte, estava a acabar o treino, aparece-me o meu pai, no Bolão, com cara de poucos amigos.
"Então? Está tudo bem?" - perguntei.
O homem só não me bateu: "Está tudo bem? Está tudo bem? Tu sabes como é que tinhas os pneus do carro?? O mecânico levantou-o e até se assustou. Até os arames se vêem! Tens noção do que isso quer dizer?"
"Presumo, agora, que seja mau."
"Mau? Tu és um inconsciente."
Não muito convencido de que toda a gente soubesse da questão, cheguei a casa e perguntei ao Auto e ao Pardal: "Ouçam lá, vocês sabem que se devem trocar os pneus do carro, de vez em quando?"
"Óbvio. Porquê?"
"Epá, é que o meu carro fez mais de noventa mil quilómetros e só agora, por ter ido ao mecânico, é que os vou trocar. E o meu pai fartou-se de me chatear a cabeça."
Posso dizer que ainda hoje sou gozado por causa disto.
E agora a cereja: estávamos em 2007. Eu vivia em Coimbra, trabalhava em Figueiró dos Vinhos e treinava os juvenis da Académica. Fazia 140 quilómetros todos os dias. De três em três semanas, com os serviços na farmácia, às sextas-feiras ia e vinha duas vezes, com passagem pelo Luso. Eram 300 quilómetros num dia. E ao fim de semana ainda ia ao Porto ter com a Vanessa.
De facto o carro chiava um bocado nas curvas. Mas eu pensava: "Está a chiar, está a aderir". Por vezes penso que a inteligência me foi toda para os pés...

